A Outra Sala
junho 03, 2025
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“Se eu não controlar, vão achar que eu não fiz nada.”(E talvez esse seja exatamente o seu problema.)

Ana Luisa Winckler (*) Essa frase — real, ouvida em uma mentoria — não foi dita por um chefe tóxico, nem por alguém inseguro. Foi dita por um líder inteligente, dedicado, querido pela equipe. E é justamente por isso que ela revela algo muito mais profundo: a dificuldade de dissociar controle de relevância. Muitos líderes ainda […]

A Outra Sala
maio 27, 2025
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“O ringue é só o sintoma”(Ou por que algumas empresas preferem soco a escuta)

Ana Luisa Winckler (*) Recentemente, viralizou uma notícia de que uma empresa norte-americana instalou um ringue de boxe para seus funcionários resolverem conflitos internos. Com luvas, árbitro e, talvez, torcida. Ninguém sabe ao certo se foi ação de marketing, sátira ou realidade disfarçada de “espírito esportivo”. Mas o que importa mesmo é a reação das […]

A Outra Sala
maio 06, 2025
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Lágrimas de líder: vulnerabilidade real ou marketing empático?

 e Ana Luisa Winckler (*) Na reunião oficial, ela comunicou a demissão de 40% do time com serenidade.No post do LinkedIn, veio o vídeo: olhos marejados, voz embargada, fundo musical suave. Legenda em tom poético: “Hoje foi um dos dias mais difíceis da minha liderança. Chorei. Porque cuidar também dói.” A postagem viralizou.Aplausos pela coragem de sentir.Críticas pela estética de comercial de margarina com pegada de corte orçamentário.E no café da firma, alguém cochichou:“Chorou por nós… ou pelo engajamento?” Quando o choro é legítimo — e quando ele escorrega no roteiro Em um mundo corporativo que adora uma planilha, mas congela diante de uma lágrima, qualquer emoção vaza e já vira storytelling.Tem líder que sente demais, mas não sustenta a dor do outro.E tem líder que sente e segura a barra com afeto — sem jogar a bomba emocional no time. A diferença?A primeira é a liderança emocionada: aquela que sente muito, fala bonito… mas resolve pouco.A segunda é a liderança emocionante: aquela que sente junto, mas pensa além. Não romantiza. Cuida com consequência. Mas emoção de líder é sobre quem mesmo? Segundo Daniel Goleman (pai da inteligência emocional e possivelmente da expressão “respira e conta até 10”), a verdadeira maturidade emocional passa por autorregulação.Ou seja: sentir sim, mas sem transformar o fim da festa em monólogo dramático. Chorar não deslegitima.Mas se a lágrima escorre mais rápido que o plano de desligamento…A pergunta muda de tom:Será que é dor — ou é vaidade performática com trilha sonora da Celine Dion? Vulnerabilidade ou exposição com filtro? A querida Brené Brown já avisava: “Vulnerabilidade sem limites vira exposição. E exposição não é conexão.” Ou seja: não basta se emocionar — é preciso se responsabilizar.Porque se a equipe saiu com uma caixa de papelão nas mãos, e o líder saiu com um vídeo emocionante no feed… quem realmente ficou sem chão? Quem acolhe quem lidera? (e quem lidera acolhendo?) Tem colaborador que sai com um aviso prévio.Tem gestor que sai com 15 mil curtidas e um convite pra palestrar sobre “Liderança com Alma” — na empresa que acabou de cortar metade do time.Tem RH dizendo que vai “reforçar a escuta ativa” enquanto preenche mais uma planilha de desligamento.Tem colega abraçando no corredor… e depois correndo pra salvar o próprio crachá. E tem também quem só queria um café quente e um pouco de verdade no meio da comunicação estratégica.Porque emoção sem estrutura é só mais uma carga que sobra pros que ficam.E a empatia, quando mal dosada, vira débito emocional — com juros compostos de ressentimento. Rodapé da Liberdade Reflexão para quem quer humanizar sem romantizarSe sua vulnerabilidade pede palco mais do que pede reparo, talvez seja hora de conversar com a dor — não com o algoritmo.Chorar faz parte.Mas, se a sua lágrima sempre precisa de um post com 2 mil caracteres e uma hashtag sobre liderança,talvez o que esteja escorrendo não seja sentimento — seja carência de aplauso. (*) Psicóloga, escritora e rebelde […]

A Outra Sala
abril 29, 2025
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“Seu CLT!” — Quando até o recreio sacou que o modelo trabalho está vencido (e o que a gente vai fazer a respeito)

Ana Luisa Winckler (*) O vídeo viralizou: duas crianças discutindo no recreio, uma olha para outra e solta: — “Seu CLT!” E ali, entre gritos, lancheiras e risadas, a palavra que já foi símbolo de proteção trabalhista virou deboche — quase um sinônimo de “coitado”. E sim, eu ri — antes de parar, engolir em seco […]

A Outra Sala
abril 22, 2025
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Quando o mundo vira palco, o silêncio vira resistência

Ana Luisa Winckler (*) Sobre vozes abafadas em empresas, guerras televisionadas e a nossa urgência de escutar o que não viraliza. Tem CEO que fala bonito sobre diversidade, mas não sabe o nome da moça que serve o café. Tem empresa que coloca filtro de paz no Instagram, mas demite em massa com frase pronta […]

A Outra Sala
abril 15, 2025
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Currículo para viver

Ana Luisa Winckler (*) Outro dia me perguntaram se eu tinha um currículo atualizado.Respondi que sim — atualizado até demais.Mas ele não mostra quase nada do que mais me define. Porque o currículo conta onde trabalhei, mas não revela como eu trabalhei.Lista competências, mas não narra quantas vezes respirei fundo antes de um feedback difícil.Diz que fui […]