LGPD e proteção de dados: as pessoas não sabem o valor

Otávio Pepe (*)

O quanto a população brasileira está a par do que significa a segurança dos dados na Era Digital?

A maioria das conexões a internet pelo brasileiros, em média, acontece das 8h33 da manhã e se encerram às 22h13, segundo dados de cibersegurança NordVPN. O caminho para o entendimento da segurança de dados e da forma como a exposição digital interfere na vida das pessoas ainda é algo a se preocupar.

A previsão é de que até o final de 2026 o Brasil acumule em média 184,76 milhões de pessoas com pelo menos 16,18% de usuários conectados, 87,09% da população, afirma a mesma pesquisa. Partindo desse ponto, a segurança digital é um tema que a sociedade precisa entender pois já convivem com crimes que afetam pessoas e empresas.

Em junho do ano passado a Febraban realizou uma pesquisa que constatou que apenas 37% dos brasileiros conhecem “muito bem” ou “mais ou menos” a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Uma parcela pequena se for somar o número de usuários que compartilham seus dados na internet todos os dias.

Ainda observo a dificuldade das pessoas em ler, entender e aceitar, ou não, os termos de compartilhamento de dados. Somos diariamente contatados por empresas que nos encontram das maneiras mais inusitadas online e como é que eles conseguem informações tão precisas e privilegiadas? O ponto de atenção é que esses dados tem valor, e com o tempo este valor só tende a aumentar.

Na minha área de atuação, e também como um usuário pessoal dos meios digitais, normalmente os dados são utilizados por empresas muitas vezes do ramo varejista que vendem produtos ou serviços em grandes quantidades e que necessitam prospectar o máximo de clientes possíveis. Aquele re-marketing, que seria a publicidade em diferentes meios de comunicação, para um mesmo público alvo, ou um nicho específico, saiu um pouco de moda.

Grandes empresas já perceberam que podem perder valor, quando insistem em um determinado potencial cliente, exagerando na publicidade e não dando ao usuário a opção de escolha. Mesmo antes da LGPD, a Clever vem se adequando e respeitando o sigilo e confidencialidade dos dados de seus clientes. Investindo, principalmente, na experiência do cliente e agregando valor à marca, para que os próprios consumidores falem bem dela.

Como atuo diretamente na implementação de métodos e processos para a adequação à lei, é evidente que as empresas sabem o que estão fazendo, mas ainda faltam as pessoas reconhecerem a importância de estarem seguros quando atuam online.

Dados têm um valor e a longo prazo essa premissa será cobrada.

(*) – É diretor Brasil da Clever Global, detentora da plataforma SerCAE, que integrao controle de acesso, o controle de pagamento aos fornecedores e as auditorias (http://clever-global.com).

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