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Mentorias na beleza deixam de ensinar técnica e passam a gerar negócios

em Negócios
quinta-feira, 14 de maio de 2026

Redes de formação conectam empresários, reduzem isolamento e ampliam oportunidades no setor

Por muitos anos, cursos na beleza serviram para ensinar técnica. Agora, passaram a cumprir outro papel: conectar empresários, acelerar decisões e gerar oportunidades reais de crescimento. Em um mercado que movimenta mais de R$ 130 bilhões por ano no Brasil, segundo a ABIHPEC, a mudança reflete uma nova fase de profissionalização, em que saber executar deixou de ser suficiente para sustentar um negócio competitivo.

A transformação ocorre em paralelo a uma dor estrutural do setor. Milhares de profissionais dominam a técnica, mas nunca aprenderam gestão, liderança ou expansão. O resultado aparece na prática: negócios que faturam, mas não crescem de forma organizada, com donos presos à operação e sem previsibilidade financeira.

Para Saulo Abrahão, empresário do setor da beleza, fundador do salão Duo+ e criador da Mentoria Voe Alto, a mudança de comportamento está diretamente ligada ao ambiente em que o profissional está inserido. “O conhecimento continua importante, mas hoje o ambiente certo acelera mais do que crescer sozinho”, afirma. Segundo ele, a evolução do setor passa menos pela técnica isolada e mais pela capacidade de tomar decisões com base em referências reais de mercado.

Além da falta de formação empresarial, outro fator pesa na rotina desses empreendedores: a solidão. Muitos donos de salão crescem sem troca, tomando decisões no improviso e sem parâmetro externo. “Muitos salões não quebram por falta de talento. Quebram por isolamento”, diz. A ausência de comparação e validação faz com que erros se repitam e o crescimento aconteça de forma mais lenta.

Esse cenário ajuda a explicar o avanço das mentorias estruturadas no setor. Diferentemente dos cursos tradicionais, esses programas combinam formação contínua, convivência entre empresários e aplicação prática no dia a dia. A proposta deixa de ser apenas ensinar e passa a criar um ambiente de decisão, onde experiências são compartilhadas e oportunidades surgem a partir das conexões.

Na prática, os efeitos aparecem em várias frentes. Donos de salão passam a trocar indicações de clientes, compartilhar fornecedores e até estruturar parcerias comerciais. A rede encurta caminhos que, de forma individual, levariam anos para acontecer. Ao mesmo tempo, o acesso a outras realidades amplia a visão de negócio e reduz erros estratégicos.

Ainda assim, a conexão por si só não resolve os desafios estruturais. A capacidade de transformar oportunidade em resultado depende da organização interna do negócio. “A conexão abre portas, mas é a gestão que sustenta o crescimento”, afirma. Sem processos, controle financeiro e liderança, o avanço tende a se perder no curto prazo.

Nesse movimento, iniciativas como o Beauty Society ganham espaço ao integrar operação prática, formação estratégica e visão empresarial em um mesmo modelo. A proposta é responder diretamente às lacunas do setor, oferecendo não apenas conteúdo, mas direção aplicada à rotina dos empresários.

A tendência acompanha a mudança no comportamento do consumidor. Com mais de 90% das pessoas pesquisando online antes de contratar serviços locais, segundo o Google, a exigência por padrão, experiência e reputação aumentou. Isso pressiona os salões a operarem com mais consistência e profissionalismo, o que reforça a demanda por formação além da técnica.

No novo mercado da beleza, a lógica se redefine. Técnica abre portas, relacionamento acelera resultados e gestão sustenta o crescimento.

Mercado de beleza atingirá cerca de US$ 580 bilhões até 2027 – Jornal Empresas & Negócios