Joalherias são a bola da vez do crime

Marco Antônio Barbosa (*)

Recentemente, tivemos diversos assaltos que seguiram basicamente o mesmo padrão: homens invadindo shoppings e roubando joalherias.

São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro registraram ocorrências dessa forma. Neste ano, já foram 23 roubos em complexos logísticos em todo o Brasil, mostrando uma tendência em crimes como esses.

Apesar da segurança nesses locais ser bem reforçada – segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) são feitos investimentos de até R$ 1,5 bilhão por ano -, os criminosos se valem das regras rígidas para o uso de armas de fogo em ambientes de grande movimento para efetuar os roubos.

Nos 716 shoppings do Brasil passam cerca de 450 milhões de pessoas por mês.

Essa onda de assaltos a shoppings deve-se muito à diminuição da circulação de dinheiro nas ruas e ao aumento de tecnologias de segurança para cartões crédito e débito. Por esses motivos, objetos valiosos ficaram mais evidentes.

O alto fluxo de pessoas também ajuda os criminosos durante toda a ação, seja para se disfarçarem para entrar no local ou para fugirem, pois inibe o ataque dos seguranças e policiais. São situações complexas, onde um erro pode custar vidas.

Casos como o que ocorreu no Rio de Janeiro, no Shopping Village Mall, devem ser evitados. Na ocasião, houve troca de tiros e um vigilante morreu. Shoppings e outros estabelecimentos comerciais que recebem multidões todos os dias, como aeroportos, rodoviárias, espaços de eventos, entre outros, precisam estar um passo à frente do crime.

Sistemas de segurança robustos, que ajudem na intimidação dos bandidos, mas também no reconhecimento destes para auxiliar a polícia, são essenciais. Além disso, é muito importante que a segurança do estabelecimento seja integrada com as autoridades, para que ajam rápido e impeçam a fuga dos criminosos.

Circuitos de monitoramento com reconhecimento facial, cancelas de alta segurança, sistemas de alarme e outras tecnologias que trabalhem interconectadas podem evitar ou diminuir danos para os locais e para a vida dos frequentadores e colaboradores.

Mais do que investir dinheiro é preciso investir em inteligência. Antever fragilidades e buscar alternativas é um trabalho diário que precisa ser valorizado na busca por segurança. O mesmo tempo gasto para entreter e encantar os clientes, também precisa ser gasto para mantê-los seguros, já que um assalto abala a confiança que o público possui em frequentar o estabelecimento.

A cada minuto surgem novas formas de driblar sistemas ou ações mais ousadas por parte dos assaltantes. Por esse motivo, a atualização dos profissionais e das tecnologias que zelam pela segurança também deve ser contínua.

(*) – Com mestrado em Administração de Empresas e MBA em Finanças, é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. (www.camedobrasil.com.br).

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