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Big Techs estão praticando “contabilidade criativa”

em Tecnologia
quinta-feira, 23 de julho de 2026

Vivaldo José Breternitz (*)

 A expressão “contabilidade criativa” surgiu para definir as manobras contábeis e fiscais usadas durante o governo da presidente Dilma Rousseff para mascarar o déficit nas contas públicas e fazer crer que metas fiscais haviam sido atingidas.

Agora, em meio às crescentes discussões sobre uma possível bolha da inteligência artificial, um estudo conduzido por analistas japoneses revelou que cinco das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão adotando práticas desse tipo para ocultar dívidas de valor superior a US$ 1,65 trilhão, impulsionadas principalmente por gastos maciços em infraestrutura para inteligência artificial.

Esse montante não aparece claramente nos balanços oficiais dessas empresas, que registram dívidas da ordem de US$ 1,35 trilhão; esse valor cresceu oito vezes nos últimos quatro anos.

Segundo estimativas do portal Nikkei Asia, Microsoft, Amazon, Meta, Oracle e Alphabet  (empresa-mãe do Google) somam cerca de US$ 3 trilhões em dívidas, grande parte vinculada a contratos de longo prazo para centros de dados e à compra de servidores, chips e outros equipamentos.

Somente cerca da metade desse valor está registrada claramente nos balanços. O restante aparece apenas em notas explicativas anexadas aos documentos enviados à SEC, o órgão regulador do mercado nos EUA. Embora tais procedimentos não sejam ilegais, a forma como são registrados torna difícil a investidores comuns avaliarem com clareza a saúde financeira dessas companhias.

A Meta lidera o ranking, com uma dívida oculta estimada em US$ 420 bilhões, quase três vezes o que declarou em seu balanço oficial. A Oracle viu sua dívida oculta crescer 30 vezes em quatro anos, alcançando US$ 273,3 bilhões em maio de 2026.

Embora parte dessa dívida permaneça praticamente invisível para pequenos investidores, instituições financeiras e agências de classificação de risco já soam o alarme:  Morgan Stanley e Moody’s manifestaram preocupação, e a S&P rebaixou a nota da Oracle, colocando-a a apenas um degrau do chamado “grau especulativo”, o patamar próximo ao status de junk bond, um título de dívida corporativa de alto risco, emitido por empresas com classificação de crédito ruim.

(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

 https://jornalempresasenegocios.com.br/tecnologia/big-techs-desaceleram-contratacoes-e-veem-suas-acoes-cairem/