
Começa mais um capítulo da novela que tem como principal atração a demanda por gigantescos data centers gerada pelas aplicações de inteligência artificial.
Vivaldo José Breternitz (*)
A instalação desses data centers vem sofrendo oposição, em função dos aspectos ambientais envolvidos, especialmente consumo de água e energia elétrica, necessários ao seu funcionamento.
Esse novo capítulo está ambientado no Japão, onde está sendo estudada a implementação de data centers flutuantes.
A Mitsui O.S.K. Lines (MOL) e a Hitachi assinaram um memorando de entendimento para desenvolver e operar centros de dados instalados em navios atualmente fora de uso.
A MOL e a Hitachi pretendem avaliar a demanda por esse tipo de serviço, estabelecer especificações e procedimentos básicos e, posteriormente, lançar as primeiras unidades operacionais a partir de 2027.
Cada companhia ficará responsável por uma parte da iniciativa. A MOL, sediada em Tóquio e considerada uma das maiores empresas de navegação do mundo, com mais de 900 navios, cuidará dos aspectos marítimos, incluindo planos de conversão dos navios, coordenação com autoridades portuárias, atracação e manutenção.
Já a Hitachi, também sediada em Tóquio, através de sua divisão Hitachi Systems, responderá pela operação dos data centers. Com experiência consolidada em estruturas terrestres, a empresa irá projetar, instalar e administrar a infraestrutura de computação, além de gerenciar redes, segurança e requisitos específicos de um centro de dados flutuante.
Segundo as empresas, os navios não estarão em alto-mar: permanecerão atracados em portos, conectados à infraestrutura terrestre para garantir acesso aos serviços necessários.
Entre os benefícios trazidos pelo projeto, estão a dispensa da aquisição de grandes terrenos, a redução de conflitos com comunidades locais, prazos de construção mais curtos e a possibilidade de utilizar água do mar em sistemas de resfriamento, algo crítico nos grandes data centers.
Além disso, os centros poderiam ser realocados rapidamente conforme a necessidade: situações como os ataques aos data centers feitos pelo Irã, poderiam ser contornadas.
Um navio originalmente projetado para transportar automóveis, por exemplo, poderia oferecer cerca de 54 mil metros quadrados de espaço útil, dimensão comparável aos maiores data centers terrestres do Japão.
Os data centers flutuantes poderiam, em tese, ser integrados a outros projetos inovadores, como o proposto no início deste ano pela startup californiana Aikido Technologies, que integra data centers a turbinas eólicas flutuantes, em resposta ao aumento da demanda por infraestrutura de computação voltada à inteligência artificial.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



