Satélites levam internet a regiões remotas

Vivaldo José Breternitz (*)

Starlink é um serviço que permite o acesso à internet com o uso de satélites e pertence à SpaceX, ligada ao grupo Tesla, comandado por Elon Musk.
Apesar de ainda não estar presente em todo o mundo, a empresa já vendeu cerca de cem mil kits de acesso e ainda aguarda autorização de diversos países para neles iniciar suas operações.

A empresa já está chegando ao Brasil. A SpaceX lançou o Starlink como um serviço experimental no final de 2020, ao custo de US$ 99 mensais. Não estão incluídos aí os equipamentos, uma pequena antena parabólica e seu suporte, fonte de alimentação, roteador WiFi e cabos, que custam US$ 499.

O Starlink foi projetado para atender clientes em locais remotos, onde as opções de acesso à internet são limitadas ou mesmo inexistentes. Talvez seja por isso que as pessoas estão dispostas a arcar com esses custos, bastante elevados em relação aos praticados nas áreas onde o acesso é mais fácil; apenas em julho passado, a empresa ganhou 10 mil novos clientes.

O serviço usa uma constelação formada por milhares de pequenos satélites para fornecer conexão à internet. A SpaceX já colocou em órbita quase 1.800 deles, mas tem planos de ter 42 mil satélites, de forma a poder atender a todo o planeta, suportando um volume elevado de tráfego de dados, a velocidades adequadas.

O conceito é interessante, mas contribui para o agravamento de um problema, o do congestionamento do espaço. Os satélites Starlink, que pesam cerca de 250 quilos cada um, orbitam abaixo de dois mil km de altitude, onde também estão uma enorme quantidade de outros engenhos, inclusive o satélite brasileiro Amazonia-1.

Esse intenso tráfego espacial começa a preocupar os especialistas: um relatório produzido pelo European Southern Observatory, uma entidade formada por governos europeus, alerta que satélites em órbita baixa, devido à sua capacidade de refletir a luz do Sol, podem trazer problemas a programas científicos que requerem observações noturnas.

Dentre esses programas estão a busca de asteroides potencialmente perigosos para a Terra e o estudo da radiação visível e das ondas gravitacionais provenientes do espaço. Novas soluções trazem novos problemas, que é preciso enfrentar.

(*) – Doutor em Ciências pela USP, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap