Técnico ou Político?

Mario Enzio (*)

Você contrataria um técnico em assuntos de cozinha – um chef – para um jantar com mil pessoas ou um político? Eis é a questão. Tem quem saiba a resposta.

Quando nos sentimos pressionados para concretizar uma meta, o que fazemos? Vem uma famosa condicional: depende. Depende do que estamos querendo atingir: de que maneira, forma, tempo, período, das circunstâncias, situações, ocasiões, das facilidades ou dificuldades ou consequências. Tanto como técnicos ou políticos agimos na dependência de muitos fatores.

Por exemplo, se vamos escalar a montanha mais alta do mundo – o Everest. O que devemos fazer? Ir direto ao cume? Jamais. Recomenda-se bom senso. Escalar montanhas menos desafiadoras, que possam nos dar experiência. Mesmo com todas as escaladas, ainda precisamos de guias que nos levem aos caminhos nas montanhas.

Há sempre um jeito de atingir um objetivo que pode ser aperfeiçoado. Quando pensamos como uma pessoa técnica focaremos, preferencialmente, no resultado. Quando pensamos como uma pessoa política focaremos, preferencialmente, em nas relações entre pessoas e coisas.

Claro que há políticos que podem ter se especializado em competências técnicas. Esses seriam duplamente gabaritados? Depende. Se ao se formar em determinada especialidade, e se nunca a exerceu: não terá a devida experiência. Poderão faltar elementos que sejam capazes para conseguir emitir bons juízos naquela matéria.

Haverá opiniões que irão divergir, aqueles contrários, pois são tão políticos que irão argumentar que são mais articuladores, que poderão gerir melhor as questões.

E se estivermos falando em administradores, que são técnicos nessa ciência, podem não ser necessariamente pessoas técnicas na arte da negociação. Assim: técnico não seria um político, e um político não seria um técnico? Eis outra questão. Com certeza, poderemos ter um técnico que seja político e um político que não seja técnico.

Essas competências são ideais para determinados desafios na vida política, por exemplo. O que pode não ser ideal em uma empresa com produtos de alta competitividade. O que pensa disso? Depende. Se a empresa em questão tiver ações na Bolsa, e mais um grande número de acionistas e uma área de Governança onde se exijam contatos com diferentes tipos de interlocutores, um político, com características de um alto executivo, seria um candidato que poderia concorrer essa vaga.

Ser técnico não é ser uma pessoa que só foca no que sabe fazer. Afinal, todo ser social é um ser político. O que diferencia um cidadão comum daquele cidadão que vive da ou na política profissional é que o primeiro, presumidamente, não aguenta tanta pressão quanto ao segundo. Como você se enquadraria numa atividade com muita pressão e disputas?

Sou do tipo que se irrita quando escuto mentiras; quando alguém se compromete a fazer determinado trabalho e não o faz. Não tenho paciência com pessoas preguiçosas e de caráter duvidoso. Prefiro jogar na retaguarda, conversar entre amigos, estar entre pessoas da minha confiança. Não gosto de debater questões ideológicas como bandeiras que sejam definitivas.

A política é uma atividade muito técnica que exige um exercício de convivência e superação para se atingir metas de interesse público. Sem invasão entre esse mundo público e o privado.

(*) – Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais (www.marioenzio.com.br).

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