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Fim do ano: festividades tendem a aumentar ainda mais a inadimplência

em Mercado
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Fabrício Tonegutti dá dicas para economizar durante este período

A inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras já preocupa alguns setores da economia. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), do total de famílias endividadas, 30,5% informam que estão com as dívidas atrasadas e 13,2% dizem que não terão condições de pagar as parcelas. O percentual daqueles que não tem condição de honrar seus débitos é o maior da série histórica. Mesmo diante deste cenário econômico desafiador, o consumo no final do ano segue crescendo impulsionado pela Black Friday e festividades, como: Natal e Réveillon. O especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, alerta sobre a importância do planejamento financeiro em dia para não começar o ano endividado.

“É um período em que as pessoas conseguem crédito fácil, há um marketing agressivo e uma pressão emocional de presentear especialmente durante essa época. Além da sensação de recompensa depois de um ano difícil, 49% das pessoas vão usar o cartão de crédito para fazer as compras e 77% dessas compras serão parceladas, ou seja, boa parte do natal deste ano será paga ao longo de 2026”, ressalta o diretor da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de experiência em inteligência tributária para o varejo.
Um grande problema é a facilidade de parcelar as compras, as pessoas se esquecem de fazer as contas. E o que parecia uma vantagem acaba se tornando uma dívida difícil de quitar. Novembro e dezembro funcionam como um motor temporário da economia, o varejo acaba contratando cerca de 100 mil empregos temporários e essas vendas garantem fluxo de caixa para as empresas, mas é preciso cautela com gastos e parcelamentos desnecessários.

“O consumo e a emoção andam juntos. A verdade é que o fim do ano tem um poder: acelerar a economia ao mesmo tempo que testa os limites do bolso das famílias. É festa, tradição, emoção, mas também é matemática, então, meu conselho é aproveitar esse período festivo celebrando ao lado de quem se ama, mas lembrando sempre que o melhor presente é começar janeiro sem dor de cabeça e dívidas. Compre com consciência, porque a economia agradece, mas o futuro e o bolso também”, conclui Tonegutti.