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Resultados passam. Pessoas permanecem

em Fabiana Monteiro
quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Fabiana Monteiro (*)

Mauricio Machado, COO da TSEA, defende uma liderança baseada em confiança, desenvolvimento de pessoas e resultados sustentáveis.

Tenho 51 anos e sou natural de Jundiaí, no interior de São Paulo. Filho de mineiros — meu pai era construtor e minha mãe, empregada doméstica —, comecei a trabalhar como office boy. Estudei no Senai, fiz curso técnico e, aos 18 anos, entrei na Siemens Energy, onde construí grande parte da minha trajetória profissional.

Permaneci na companhia até 2017 e passei por diferentes departamentos até chegar à liderança, em 2001. Ao longo dos anos, avancei até assumir a posição de gerente-geral de uma das unidades. Depois, segui para a ASTA, multinacional austríaca, em Cerquilho. Em 2020, durante a pandemia, tirei um ano sabático e abri uma consultoria. Em 2021, ingressei na TSEA como Head de Supply Chain e, dois anos depois, assumi a posição de diretor em uma das operações.

Um bom líder não faz nada sozinho

A gestão de pessoas sempre foi um dos maiores desafios da minha carreira. Aprendi que não existe uma única forma de liderar. É preciso adaptar a comunicação, entender diferentes perfis e reconhecer que boa parte desse aprendizado acontece na prática.

Hoje sou líder de líderes, trabalhando diretamente com gerentes e supervisores. Acredito em eficiência, disciplina e alta performance, mas sempre acompanhadas de sustentabilidade. Resultados rápidos podem desaparecer. O desenvolvimento das pessoas permanece.

Também não acredito em lideranças isoladas. Delego, confio no meu time e mantenho feedbacks constantes. Uma equipe de confiança precisa ter espaço para compartilhar sucessos, fracassos e aprendizados. Quando o líder se distancia excessivamente e cria hierarquias rígidas, dificulta inclusive a formação de novos líderes.

Com profissionais em posições de gestão, o desafio é ainda maior. Muitos desejam crescer dentro da organização, e cabe ao líder criar condições para seu desenvolvimento, oferecer aprendizado e inspirá-los a avançar.

Liderar também significa saber se adaptar

As características dos profissionais mudaram e a liderança precisa acompanhar essas transformações. Trabalho remoto, flexibilidade e novas competências alteraram paradigmas que pareciam impensáveis há 10 ou 15 anos.

Gosto de gerenciar atividades e resultados, não horas trabalhadas. Se tenho uma equipe de alta performance, não vejo motivo para controlar cada movimento do profissional. Se há entrega e resultado, isso é o que importa.

Ao mesmo tempo, flexibilidade exige maturidade. O segredo está no equilíbrio: adaptar-se, atualizar-se, entender novos conceitos e continuar estudando, sem abandonar disciplina, excelência e responsabilidade.

Processos bem estruturados também ajudam. Quando cada profissional entende claramente onde começa e termina sua responsabilidade, a liderança consegue integrar melhor as áreas e reduzir zonas de conflito.

Tecnologia deve ampliar a capacidade humana

Na engenharia, acredito que a Inteligência Artificial assumirá cada vez mais tarefas repetitivas, permitindo que os profissionais dediquem mais tempo à análise de dados e à interpretação de riscos financeiros, materiais, de segurança e de reputação.

Não vejo necessariamente essa transformação como redução de profissionais, mas como uma oportunidade para direcionar o conhecimento humano a atividades de maior valor.

Esse cenário também exige atenção às novas gerações. Lidero gerentes de diferentes idades e considero essa diversidade enriquecedora. Profissionais mais jovens muitas vezes desejam resultados rapidamente, mas é papel da liderança ajudá-los a compreender que nem sempre o tempo de uma pessoa será o tempo da organização.

Por isso, para quem está começando, meu conselho é fazer bem o básico: priorizar educação, buscar uma boa formação, manter-se atualizado e preservar valores. Também é fundamental respeitar o conhecimento de quem já percorreu aquele caminho.

O legado está nas pessoas

Quanto maior o cargo, maior também pode ser a dificuldade de estabelecer limites. Hoje procuro ter horário para começar e terminar minhas atividades, cultivar hobbies e reservar tempo para minha família. Incentivo meu time a buscar esse equilíbrio e procuro evitar a armadilha do microgerenciamento.

Para mim, sucesso significa fazer aquilo de que se gosta, receber de forma compatível com o que se entrega e, ao mesmo tempo, ter tempo de qualidade para a família.

Nem tudo são flores ao longo de uma trajetória. Mas acredito que vale a pena seguir um bom caminho. Quando olho para minha vida pessoal e profissional, meu maior orgulho está no legado que consigo deixar. Resultados são importantes, mas passam. As pessoas que desenvolvemos e inspiramos permanecem.

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(*) Chairman, CEO da Editora Global Partners – Affiliated to Institute of Coaching at McLean Hospital, associate Harvard Medical School – (ICPA). Conselheira de empresas.

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