
Durante muitos anos, o marketing educacional concentrou boa parte de seus esforços em comunicar aquilo que uma instituição oferece: cursos, infraestrutura, professores, metodologia e diferenciais acadêmicos. Todos esses elementos continuam importantes. Mas, na minha experiência trabalhando com educação, percebo uma mudança cada vez mais clara na pergunta que alunos e famílias fazem: “E o que essa formação vai me permitir fazer no futuro?”
Essa mudança parece simples, mas tem implicações importantes para o marketing educacional. Quando um jovem escolhe uma graduação, ele não está comprando apenas alguns anos de formação. Está fazendo uma aposta sobre seu próprio futuro em um momento em que profissões, tecnologias e competências estão mudando rapidamente. Por isso, acredito que as instituições precisam construir uma ponte mais clara entre três universos que muitas vezes ainda se comunicam pouco: aluno, instituição de ensino e mercado de trabalho.
Essa distância não é apenas uma percepção do marketing. Olo et al. (2022), ao estudarem a relação entre ensino superior e empregabilidade, identificaram justamente a fraca conexão entre instituições e empregadores como uma das barreiras para aproximar a formação acadêmica das necessidades profissionais.
Isso não significa transformar universidades em centros de treinamento para vagas existentes hoje. Pelo contrário. O mercado muda rápido demais para isso. Uma revisão sistemática realizada por Grosemans, Coertjens e Kyndt (2017) mostrou a importância de competências genéricas na transição entre ensino superior e trabalho, incluindo comunicação, resolução de problemas e capacidade de aprender.
É justamente aqui que vejo uma oportunidade para o marketing educacional. Precisamos aprender a comunicar não apenas o que o aluno vai estudar, mas o que ele será capaz de desenvolver, experimentar e construir a partir daquela formação. Projetos reais, contato com profissionais, experiências práticas, portfólios, desafios com empresas e exposição às transformações de uma indústria ajudam a tornar essa promessa mais concreta.
Na minha trajetória na Full Sail University, essa aproximação entre educação e realidade profissional reforçou uma convicção: empregabilidade não deve aparecer apenas no final da jornada do aluno. Ela precisa fazer parte da conversa desde o momento da escolha. Para o marketing educacional, isso significa mudar também a narrativa. Em vez de comunicar somente “este é o nosso curso”, precisamos conseguir responder: “para que futuro estamos ajudando este aluno a se preparar?”
As instituições que souberem responder essa pergunta com consistência não estarão apenas divulgando melhor seus programas. Estarão ajudando jovens e famílias a tomar decisões educacionais mais conscientes.
Referências
GROSEMANS, I.; COERTJENS, L.; KYNDT, E. Exploring learning and fit in the transition from higher education to the labour market: A systematic review. Educational Research Review, v. 21, p. 67–84, 2017.
OLO, D. et al. How to develop higher education curricula towards employability? A multi-stakeholder approach. Education + Training, v. 64, n. 1, p. 89–106, 2022.
Carol Olival acredita que, em um mundo transformado pela inteligência artificial, a habilidade mais importante não é prever o futuro, mas aprender a tomar boas decisões. Especialista em marketing para instituições educacionais, pesquisadora e Community Outreach Director da Full Sail University no Brasil, dedica sua carreira a aproximar educação, tecnologia e desenvolvimento humano. É autora do livro Você Não Precisa Saber Agora e, nesta coluna, convida o leitor a refletir sobre os desafios e as oportunidades de aprender, escolher e evoluir em um cenário de mudanças constantes.
Marketing Comportamental: será que é para minha empresa? | Jornal Empresas & Negócios




