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Igualdade: Entre o Café Frio e a Sala Fechada

em A Outra Sala
terça-feira, 26 de agosto de 2025

Ana Luisa Winckler (*)

Ontem foi o Dia da Igualdade Feminina. Data importante, necessária e simbólica. Mas simbólica demais para quem vive o dia a dia das organizações e percebe que, na prática, ainda estamos longe de equilibrar essa balança.

Os números ajudam a contar a história: apenas 6% das empresas brasileiras têm mulheres na posição de CEO, 57,4% dos conselhos de administração continuam exclusivamente masculinos e a presença feminina em cargos de alta liderança caiu de 34% para 20% nos últimos dois anos. Em compensação, nas universidades, somos maioria há mais de uma década. Ou seja, o talento está chegando, mas não está ficando.

Por que isso acontece? Porque igualdade não se resume a contratar mulheres. É preciso criar ambientes em que elas possam permanecer, crescer e influenciar. Ambientes em que a maternidade não seja vista como risco, em que diversidade não seja apenas foto do relatório anual e em que a liderança feminina não seja tratada como “exceção inspiradora”.

E há um ponto essencial: mulheres que conquistam espaço precisam abrir caminho para outras, e os homens precisam entender que dividir poder é somar resultados, não perder relevância. Igualdade sustentável não se faz com presenças isoladas, mas com mudanças estruturais e coletivas.

Ontem foi o dia de lembrar. Hoje é o dia de agir. E se a boa notícia é que já avançamos, a melhor é que há muito mais potencial do que obstáculos. O desafio? Transformar essa promessa em prática, para que, um dia, igualdade deixe de ser um tema de campanha e passe a ser apenas… realidade.

No fim, não estamos pedindo favores, nem esperando milagres.
Estamos falando de justiça, de resultados e de futuro.
E futuro não se constrói com portas fechadas. Chegou a hora de transformar a promessa em presença.”


A paciência tem limite. A igualdade também. Vamos abrir essa sala de vez?

(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, ela cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.

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