TikTok é investigado

Vivaldo José Breternitz (*)

Uma coalizão de procuradores-gerais de alguns estados americanos, como Califórnia, Flórida, Kentucky e outros, está investigando possíveis danos à saúde mental e física de crianças, adolescentes e jovens adultos que utilizam o aplicativo.

Através de algoritmos, o TikTok determina qual o conteúdo a ser exibido a cada usuário, tornando-os extremamente envolvidos, praticamente dependentes do aplicativo. Segundo os procuradores, a investigação se concentrará nos métodos e técnicas que o TikTok usa para aumentar o engajamento dos usuários, gerando o uso cada vez maior do aplicativo.

No final do governo Trump, o TikTok foi acusado de espionar os lares americanos, afirmação essa de caráter eleitoreiro, mas que quase levou à sua proibição nos Estados Unidos. Em 2019, gastou US$ 5,7 milhões para resolver acusações de que seu antecessor, Musical.ly, não havia obtido permissão dos pais de crianças que usavam o aplicativo.

De uma forma um tanto quanto cínica, a empresa diz agradecer aos procuradores pelas suas preocupações com a segurança dos usuários mais jovens, e que está pronta a colaborar com as investigações.
Os impactos da investigação podem ir além do TikTok, pois outras empresas de mídia social, como Meta e Snapchat, estão se inspirando no aplicativo para criar novos produtos; consta que a Meta acredita que os adolescentes gastam mais que o dobro do tempo no TikTok do que no Instagram e que os usuários do Android nos Estados Unidos passam mais tempo assistindo TikToks do que vídeos do YouTube.

Tudo isso mostra que os órgãos reguladores têm prestado atenção extra à segurança das crianças quando conectadas. O presidente Biden pediu recentemente ao Congresso que aprovasse leis que protejam a privacidade e a publicidade das mesmas, e o Facebook (agora Meta) foi alvo do Congresso americano no ano passado após relatos de que, conscientemente, ignorou pesquisa interna sobre o efeito do Instagram na saúde mental dos adolescentes. A Meta também está sendo investigada por procuradores gerais de alguns estados, com um foco semelhante ao da investigação do TikTok.

É um tema relevante, que deve ser abordado com cuidado por todos, não apenas por órgãos governamentais.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor de empresas e diretor do Fórum Brasileiro de IoT.

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