Segue grave a falta de chips

O aumento do consumo de eletrônicos e a disrupção das cadeias de suprimento, ambos causados pela pandemia, tem gerado falta de chips no mercado.

Vivaldo José Breternitz (*)

Isso faz com que indústrias de diversos ramos, como as montadoras de automóveis, por exemplo, sejam obrigadas a paralisar suas linhas de produção; além disso, há um aumento generalizado dos preços dos produtos que usam esses componentes.

Por essa razão, empresas como Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon e outras têm pressionado o governo americano no sentido de que incentive o aumento da produção doméstica de chips, inclusive citando um relatório do US Commerce Department de janeiro deste ano, o qual afirma ser a escassez desse material tão grave que, durante parte de 2021, o estoque de chips, em todo o mundo, era suficiente para cinco dias de consumo.

O relatório diz também que a situação não melhorará tão cedo, o que é confirmado pelas recentes palavras da ministra da Economia de Taiwan, Wang Mei-hua e manifestações de fabricantes taiwaneses de chips, como Foxconn e United Microelectronics Corp. 

Ciente do fato de que essas empresas importam da taiwanesa TSMC quase 90% dos chips de que necessitam, de que na Ásia se concentram 80% de sua produção e também levando em conta preocupações de ordem estratégica, o governo Biden vem concedendo generosos incentivos às fabricantes desses produtos, desde a gigantes como Intel, Samsung, Texas Instruments e GlobalFoundries até a empresas de menor porte, como a Wolfspeed.

Os americanos tem ciência de que somente estarão em situação confortável em termos de capacidade de produção dentro de um período de cerca de cinco anos, mas em paralelo enfrentam outro problema: a falta de mão de obra qualificada para atuar, desde no projeto de novos chips, até para a operação de suas sofisticadas fábricas.

Nesse período, as escolas americanas não conseguirão formar jovens nas áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) para suprir as necessidades da área.

Para minorar o problema, além do investimento na formação de ­pessoal nessas áreas, inclusive mudando currículos do que chamamos ensino médio, aquele país vem desenvolvendo iniciativas para desenvolver o upskilling e reskilling, respectivamente o aperfeiçoamento e reciclagem da mão de obra que já está no mercado, além implementar políticas que permitam a emigração de trabalhadores qualificados.

Todas essas medidas parecem fazer sentido, o que nos leva mais uma vez a indagar: o que o Brasil vem fazendo para que não fiquemos ainda mais para trás nessa área?

Infelizmente, a resposta provavelmente é: quase nada…

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas.

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