36 views 3 mins

Saúde: fragmentação de dados clínicos exige modernização tecnológica

em Tecnologia
sexta-feira, 17 de abril de 2026

Hospitais e grandes grupos da área precisam revisar sistemas e arquitetura da informação para sustentar crescimento, integração e eficiência assistencial

A onda de consolidação no setor de saúde brasileiro, marcada por fusões e aquisições, trouxe um desafio crítico para a eficiência das instituições: a fragmentação tecnológica. Atualmente, o crescimento de grandes grupos hospitalares frequentemente resulta em uma colcha de retalhos de sistemas herdados, fornecedores variados e processos desconectados, o que pode comprometer a escalabilidade do negócio e a qualidade assistencial.

Nesse cenário, hospitais e grandes grupos estão sendo pressionados a revisar suas arquiteturas de informação para sustentar o crescimento e garantir a eficiência operacional. Segundo a TIVIT, multinacional do Grupo Almaviva, a falta de comunicação estruturada entre prontuários eletrônicos, plataformas laboratoriais e sistemas de imagem dificulta a visão integral da jornada do paciente.

Para Fábio Martins, Head da vertical de Saúde e Seguros da TIVIT, o setor já dispõe de ferramentas tecnológicas suficientes. O verdadeiro obstáculo é a orquestração desses ativos. “O grande desafio agora é organizar sistemas, dados e processos para que estas soluções funcionem de forma integrada dentro das instituições”, afirma Martins.

A modernização vai além da simples substituição de sistemas antigos. O foco está em padronização de dados, criar uma base comum para que diferentes aplicações falem a mesma língua; integração de plataformas, conectar sistemas legados a novas soluções com consistência; e apoio à decisão, reduzir o tempo gasto na busca por informações para acelerar decisões clínicas e administrativas.

O uso da Inteligência Artificial também depende diretamente dessa organização tecnológica. Com dados clínicos consolidados e históricos médicos correlacionados, as ferramentas analíticas ganham precisão para identificar padrões assistenciais e antecipar riscos.

Martins ressalta que o papel da IA é ampliar a capacidade de análise das instituições, e não substituir o fator humano. “A tecnologia não substitui o julgamento médico, mas ajuda a interpretar volumes complexos de informação com base em dados mais estruturados”, explica o executivo.

A evolução tecnológica exige, obrigatoriamente, uma mudança na cultura organizacional. À medida que a tecnologia deixa de ser uma área de suporte para se tornar o núcleo da estratégia hospitalar, as instituições precisam rever processos e padronizar práticas para fortalecer uma rotina orientada por informações precisas.

As principais tendências para o mercado de saúde – Jornal Empresas & Negócios