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O Google alerta: cuidado com os computadores quânticos

em Tecnologia
segunda-feira, 30 de março de 2026

Bancos, governos e empresas de tecnologia precisam se preparar, pois até 2029 hackers munidos de computadores quânticos serão capazes de quebrar a maioria dos atuais sistemas de criptografia, alertou o Google.

Vivaldo José Breternitz (*)

O alerta foi dado pela empresa através de postagem em seu blog feita no último 25 de março. No post, o Google afirmou que “a criptografia usada hoje para manter as informações seguras poderá ser facilmente quebrada por um computador quântico de grande porte nos próximos anos”.

Empresas como Google, Microsoft e universidades trabalham no desenvolvimento de computadores que utilizam princípios da física quântica para realizar cálculos matemáticos sofisticados, de forma extremamente rápida para os padrões atuais.

Essas máquinas ainda são uma tecnologia incipiente, que enfrentam obstáculos consideráveis para uso em larga escala, entre outras razões por só poderem operar em condições extremas, em temperaturas próximas ao zero absoluto. Já existem protótipos, ainda não muito poderosos, mas que entusiasmam os envolvidos com seu desenvolvimento.

Leonie Mueck, executiva e pesquisadora na área de física quântica, ponderou que o alerta do Google não significa necessariamente que haverá um computador quântico capaz de quebrar os atuais sistemas de criptografia já em 2029; a maioria das projeções situa esse marco entre as décadas de 2030 e 2050.

Ainda assim, governos já se preparam para o risco de que dados protegidos pelos padrões atuais fiquem expostos quando a tecnologia avançar. “A comunidade de inteligência vem considerando essa ameaça há mais de uma década”, diz Mueck.

Em 2025, o Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido recomendou que organizações blindassem seus sistemas contra ataques quânticos até 2035. O Google sugere que as empresas e governos devem começar agora a migrar para sistemas de criptografia mais avançados, diante da possibilidade de ataques do tipo “armazenar agora, decifrar depois”. Como alertou Mueck: “Documentos de segurança nacional de 1920 já não têm relevância. Mas informações de dez anos atrás continuam sensíveis e não podem cair em mãos erradas no futuro. É preciso criptografá-las de forma que um computador quântico, daqui a dez anos, não consiga decifrá-las.”

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].