Mercado imobiliário vive boom digital

Até pouco tempo, a movimentação do mercado imobiliário de uma cidade era um indicador da situação econômica da população local. A mera possibilidade de considerar investimentos distantes do local de residência implicava um risco. Tudo começou a mudar com a globalização, em um primeiro momento, mas foi se aprofundando até se reinventar como indústria com os avanços da tecnologia.
Não foi um processo fácil e, como costuma acontecer no início, muitos o consideraram uma ameaça. Hoje ninguém concebe o mercado sem o uso de certas ferramentas: da tradicional publicação em portais específicos aos tours do Google Street View, para conhecer o bairro por meio de plataformas colaborativas em que são coletadas opiniões de diferentes fontes.
Em termos de investimentos, essa primeira etapa de mudanças ampliou as possibilidades e a tornou mais competitiva: não é mais necessário adquirir bens na própria cidade e a análise de um lugar distante pode ser muito mais aprofundada e confiável a milhares de quilômetros de casa.
Há alguns anos, o crescimento das fintechs vinculadas ao mercado imobiliário deu origem ao termo “proptech”, impulsionado pela pandemia. Para se ter uma ideia do crescimento exponencial desse segmento, de acordo com a quinta edição do Mapa das Construtechs e Proptechs, lançado pela Terracotta Ventures, em abril deste ano, o número de startups de tecnologias voltadas aos setores de construção e mercado imobiliário cresceu 19,5% em relação a 2020 e 235% se comparado ao primeiro mapeamento, em 2017.
Para repensar o negócio, afetado pelas incertezas provocadas pela crise sanitária global, essa inovação tecnológica foi aprofundada. Desta forma, foi experimentado nas diferentes etapas do processo de aquisição de um imóvel. Os papéis de compra e venda e aluguel já estão, em muitos casos, com assinaturas digitais e depósitos online. A maior facilidade nesses processos é uma excelente notícia para os usuários e um primeiro passo para que depois sejam adotados também em procedimentos mais complexos como a hipoteca ou a solicitação de um empréstimo.
A digitalização imobiliária segue numa crescente e facilita a busca, compra ou locação de imóveis a partir de um clique. Por exemplo, são oferecidos tours virtuais 360° e novas tecnologias aplicadas para um melhor primeiro contato, como os chatbots, atenção cada vez mais solicitada pelos clientes em todas as áreas. Tanto a realidade aumentada quanto a inteligência artificial facilitam a experiência e aumentam a impressão digital para satisfazer a demanda. Em termos de Big Data, algoritmos cada vez mais precisos estão sendo usados em suas recomendações e análises de mercado. É interessante ver o que está acontecendo em outros países: de acordo com uma pesquisa da Associação Mexicana de Profissionais do Mercado Imobiliário, 90% de seus associados fecharam seus escritórios para continuar sem contato direto e integrar estratégias digitais.
Terceiro, esse imóvel mais inteligente não fica de fora do fenômeno do blockchain. Essa tecnologia, acompanhada da tokenização, também ganhará espaço nos processos de compra, em um fenômeno ainda incipiente.
Por fim, o que já é fato hoje é a diversificação em relação à oferta para o setor. Nesta expansão de oportunidades, o crowdfunding imobiliário é um dos fenômenos que permite entrar no negócio com valores inferiores ao habitual para os imóveis e obter rentabilidade sem a necessidade de ter conhecimento ou de se dedicar ao tema. Isso permite que cada vez mais pessoas apliquem com segurança suas economias com impacto direto na reativação do mercado imobiliário. A indústria de crowdfunding valerá US$ 93 bilhões até 2025, de acordo com o Banco Mundial.
Se a revolução digital em alguns setores significa proibir o acesso a quem não está na vanguarda em termos de tecnologia, no Imobiliário o fenômeno implica o contrário: que mais pessoas possam acessar um mercado considerado por múltiplas gerações um refúgio de investimento e futuro.

(Fonte: Jorge Castellar é diretor global de vendas da Bricksave e consultor financeiro do IEAF Instituto Espanhol de Executivos Financeiros).

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