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Mais um alerta sobre a bolha da inteligência artificial

em Tecnologia
segunda-feira, 13 de julho de 2026

Há mais de um ano, analistas vêm alertando que a bolha da inteligência artificial, a supervalorização das empresas e tecnologias ligadas à IA não poderá durar muito tempo.

Vivaldo José Breternitz (*)

Apesar disso, ela segue inflada, a ponto de alguns indicadores relativos à economia dos Estados Unidos mostrarem números piores do que os das vésperas da querbra da Bolsa de Nova Iorque, que ocorreu em outubro de 1929 e marcou o início da Grande Depressão, a mais devastadora crise econômica da história moderna

Segundo Russ Mould, colunista de economia do jornal britânico The Daily Telegraph, a supervalorização das ações americanas já ultrapassou o nível que levou o mercado ao crash de 1929.

Ele observa que os papéis que compõem o índice S&P 500 estão sendo negociados a cerca de 42 vezes a média dos lucros da última década, índice conhecido como Shiller CAPE (Cyclically Adjusted Price-to-Earnings Ratio), em homenagem ao professor e economista ganhador do Nobel Robert Shiller.

Em outras palavras, investidores estão pagando US$ 42 por cada US$ 1 de lucro médio anual gerado pelo índice nos últimos dez anos.

É, nas palavras de Mould, o equivalente financeiro à maré recuando antes de um tsunami. Não é possível prever exatamente quando a onda virá, nem seu tamanho, mas um Shiller CAPE tão elevado indica perigo. Para efeito de comparação, a média histórica é de 17,3, segundo o site Investing.com. Na chamada “Black Tuesday”, dia em que se iniciou o crash de 1929, o índice estava em 32,5, quase nove pontos abaixo do nível atual.

A justificativa para preços tão altos repousa quase inteiramente na crença do sistema financeiro americano de que a IA inaugurará uma revolução permanente em produtividade e lucros, embora na prática ela ainda não tenha alterado para melhor a produtividade da maioria dos locais onde vem sendo usada.

Há algumas semelhanças entre o cenário atual e aqueles vividos quando da difusão da internet nos anos 1990 e da eletrificação nos anos 1920. Em ambos os casos, as tecnologias foram incorporadas ao cotidiano, mas não antes de o entusiasmo desmedido gerar desastres financeiros.

Uma situação como a atual só pode ser resolvida de duas formas: ou os lucros gerados pela IA alcançam as projeções fantasiosas feitas por seus entusiastas, ou o mercado de ações sofrerá queda muito violenta, arrastando consigo a economia real.

Como a primeira alternativa parece cada vez menos provável, dentro de não muito tempo, talvez o mundo viva tempos semelhantes aos da Grande Depressão, que no Brasil impactou fortemente a cafeicultura, à época a base da economia do país, gerando desemprego generalizado, derrubando preços e exportações, abrindo caminho para a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas, que redefiniu nossa história.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].