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Irã ameaça Big Techs

em Tecnologia
quinta-feira, 02 de abril de 2026

A Guarda Revolucionária (IRGC, na sigla em inglês) é a organização armada mais poderosa do Irã e um dos principais pilares de sustentação do regime dos aiatolás. A instituição está subordinada diretamente ao líder supremo daquele país.

Vivaldo José Breternitz (*)

A IRGC anunciou que pretende atacar operações de grandes empresas de tecnologia norte-americanas no Oriente Médio, abrindo uma nova frente na guerra que vem sendo travada na região.

Ao ameaçar nomes como Apple, Google, Microsoft, Meta, NVIDIA e Tesla, o Irã sinaliza que vê o setor tecnológico como parte estratégica da infraestrutura de poder dos Estados Unidos, e, portanto, como alvo legítimo na guerra ora em andamento.

A ameaça vai além: funcionários dessas empresas foram instruídos pela IRGC a abandonar imediatamente seus postos; moradores próximos às instalações das mesmas receberam orientação semelhante.

O comunicado da IRGC associa empresas de tecnologia da informação e inteligência artificial ao processo de planejamento e execução dos ataques que vem sendo feitos ao Irã, justificando a ofensiva como resposta às mortes de líderes iranianos.

Esse posicionamento é típico da guerra híbrida, um tipo de conflito não convencional que combina estratégias militares tradicionais com ações cibernéticas, informacionais, econômicas e políticas, tornando-se uma forma de guerra usada para desestabilizar adversários sem necessariamente recorrer a batalhas convencionais.

Assim, os ataques cibernéticos e de drones contra centros de dados, como os que atingiram a Amazon no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos, se tornam instrumentos de pressão política e militar. O impacto econômico é imediato: interrupções em serviços críticos como a Amazon Web Services afetam não apenas governos e empresas, mas também milhões de usuários na região.

A escalada sugere que o Irã busca fragilizar a presença tecnológica dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio, transformando companhias privadas em peças centrais no tabuleiro geopolítico.

Para analistas, o recado é claro: a infraestrutura digital global, antes vista como neutra, está cada vez mais exposta às disputas de poder entre Estados.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].