Ransomware: pagar resgate pode não ser uma boa ideia

Vivaldo José Breternitz (*)

Ransomware é um tipo de software usado por hackers que impede o acesso aos dados de uma empresa ou pessoa; aqueles que o utilizam cobram um resgate, usualmente em bitcoins, para que o acesso possa ser restabelecido.

A palavra ransom, em inglês, significa resgate; caso ele não seja pago, os dados são apagados ou então tornados públicos, causando danos aos seus proprietários. A prática desse crime vem crescendo muito, trazendo grandes preocupações a empresas de todos os portes, forças de segurança e até mesmo a particulares.

Os criminosos procuram estipular valores de resgate que a vítima possa pagar sem grandes dificuldades, de forma que os dados possam rapidamente voltar a serem utilizados.

Mas ceder à chantagem pode não ser uma boa ideia: de acordo com o relatório Global Ransomware Study, publicado pela Cybereason, empresa de segurança na área, 80% dos que pagam são atingidos por um segundo ataque, em metade dos casos praticados pelos mesmos atacantes. Para elaboração do estudo, foram ouvidos cerca de 1.300 especialistas em segurança cibernética que atuam nos Estados Unidos, Europa, Emirados Árabes Unidos e Cingapura.

De acordo com o levantamento, 66% dos que foram vítimas tiveram prejuízos econômicos que foram além dos valores dispendidos para o pagamento do resgate, 53% relataram danos à imagem da empresa, 29% precisaram reduzir seu quadro de funcionários, inclusive nos níveis mais altos e, o que causa mais preocupações, em 26% dos casos a empresa acabou encerrando suas atividades.

O relatório aponta que as medidas que vêm sendo tomadas com mais frequência para combater esses ataques, estão o treinamento de pessoal (48%), atualização de softwares de segurança (48%), melhoria nos processos de backup (43%) e varredura de e-mails (41%).

O FBI, que recentemente conseguiu recuperar parte dos valores pagos por uma empresa, recentemente relatou que, neste ano, houve um aumento de 225% nos prejuízos devidos ao ransomware e que ocorre um ataque a cada 11 segundos; estima-se que em 2021 as perdas chegarão a US$ 20 bilhões em todo o mundo.

É importante que todos se conscientizem da necessidade de adotar fortes medidas para a segurança de seus dados – afinal, dizem que eles são o petróleo do século XXI.

(*) – Doutor em Ciências pela USP, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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