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Sem juros, mas com estrutura: o verdadeiro papel da taxa de administração

em Negócios
segunda-feira, 01 de junho de 2026

Guilherme Lamounier (*)

Uma das dúvidas mais comuns de quem ingressa em um consórcio é entender como funciona a remuneração da administradora. A resposta está na taxa de administração, responsável por sustentar toda a estrutura necessária para o funcionamento do sistema: organização dos grupos, realização das assembleias, sorteios, análise de crédito e suporte ao cliente durante o contrato. Diferentemente dos juros do financiamento, que acompanham as oscilações da Selic e podem elevar significativamente o custo final do bem, essa cobrança é definida desde o início e diluída nas parcelas, garantindo previsibilidade ao consumidor.

Entender essa lógica é fundamental para compreender o próprio modelo de consórcio. O participante não está apenas contratando crédito, mas aderindo a um sistema de poupança coletiva organizado, que depende de gestão profissional para funcionar de forma equilibrada e segura.

Existe um paralelo interessante com os meios de pagamento. Assim como as bandeiras de cartão cobram taxas para manter a infraestrutura que conecta compradores e vendedores com segurança, a administradora do consórcio também exerce o papel de mediação financeira. Sem essa estrutura, não existiriam grupos organizados, assembleias, contemplações ou regras capazes de garantir estabilidade ao sistema.

O funcionamento do consórcio depende justamente dessa lógica de confiança organizada. A aquisição do bem só acontece porque há uma gestão responsável por coordenar recursos entre dezenas ou centenas de participantes que, individualmente, dificilmente conseguiriam administrar esse processo com segurança. A cada parcela paga, o consorciado não apenas constrói seu crédito futuro, mas também contribui para a manutenção da estrutura que sustenta o grupo.

Do ponto de vista regulatório, o setor é supervisionado pelo Banco Central do Brasil, que estabelece regras de transparência para as administradoras. O percentual cobrado é definido previamente em contrato e não sofre alterações ao longo do prazo, o que se torna um diferencial importante em um cenário de juros elevados e instabilidade econômica.

Comparado ao financiamento tradicional, o consórcio apresenta uma lógica diferente. Nos financiamentos, os juros compostos incidem sobre o saldo devedor e podem fazer com que o consumidor pague um valor muito superior ao preço original do bem. No consórcio, não há incidência de juros sobre o crédito contratado, mas sim uma taxa previamente estabelecida para garantir a operação do sistema.

Em um ambiente econômico marcado por taxas elevadas e maior preocupação com planejamento financeiro, o consórcio ganha espaço como alternativa para quem consegue programar a aquisição de um bem sem urgência imediata. Mais do que um “custo extra”, a taxa de administração representa o valor de uma estrutura que garante previsibilidade, organização financeira e acesso planejado ao crédito.

(*) Especialista do mercado de consórcio e head de negócios da Multimarcas Consórcios.

Conselho de Administração para maximizar o valor da empresa – Jornal Empresas & Negócios