196 views 4 mins

Inteligência artificial já molda decisões de compra e ainda é ignorada por empresas

em Negócios
segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026

Assistentes digitais passam a organizar escolhas do consumidor e expõem falhas na presença online dos negócios

Pesquisas do Google indicam que mais de 90% dos consumidores pesquisam online antes de comprar e percorrem diferentes canais até a decisão final. A esse fluxo já conhecido soma-se um novo intermediário: ferramentas de inteligência artificial generativa, cada vez mais usadas para descobrir empresas, comparar alternativas e filtrar recomendações.

Apesar do avanço, muitas companhias ainda não incorporaram esse comportamento às estratégias de visibilidade e vendas.

Para Rafael Somera, CEO da Solutudo, a IA passou a funcionar como uma “secretária do consumidor”, reunindo informações dispersas e antecipando decisões. “Hoje, muita gente pergunta à inteligência artificial quais empresas existem, quais são confiáveis e onde vale comprar. Se o negócio não está estruturado digitalmente, ele simplesmente não aparece”, afirma.

O impacto é mais sensível entre pequenas e médias empresas, que dependem da descoberta digital para competir. Estudos da BrightLocal mostram que 99% dos consumidores leem avaliações online em algum momento da jornada, enquanto dados do próprio Google indicam que perfis completos e atualizados influenciam diretamente a decisão.

Nesse ambiente, as respostas geradas por sistemas de IA tendem a priorizar negócios com dados consistentes, presença distribuída e sinais claros de reputação. “A empresa pode ter um bom produto, mas, se a IA não consegue entender quem ela é, onde está e se é confiável, ela fica fora da lista”, diz.

Para Rafael, o risco está em repetir o atraso vivido por empresas que demoraram a se adaptar à lógica dos buscadores tradicionais.
O especialista aponta quatro cuidados práticos para não ficar invisível às IAs

Antes de investir em soluções sofisticadas, a adaptação começa pela organização da presença digital, condição essencial para que os algoritmos consigam interpretar e recomendar um negócio.

1- Manter informações padronizadas e atualizadas em sites, mapas e plataformas de avaliação, evitando divergências sobre serviços, localização e funcionamento.

2- Investir em avaliações reais de clientes e responder comentários, já que a reputação pesa diretamente nas respostas automatizadas.

3- Garantir conteúdos claros e objetivos sobre o que a empresa faz, facilitando a leitura e o cruzamento de dados por sistemas de IA.

4- Evitar depender de um único canal digital, reduzindo a vulnerabilidade a mudanças de algoritmo ou perda repentina de alcance.

A expectativa é que o uso da IA como ferramenta de descoberta se intensifique ao longo de 2026, à medida que esses sistemas se integrem de forma definitiva aos buscadores e aplicativos do cotidiano.

Para Somera, ignorar esse movimento tem custo claro. “As empresas que demoraram a entrar na internet perderam espaço. Agora, quem ignora a inteligência artificial pode nem chegar à fase inicial da decisão de compra”, conclui.