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Seis estratégias que estão moldando a nova fase da creator economy

em Negócios
sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Especialista defende a combinação de diferentes métodos para construir negócios consistentes

À medida que a creator economy amadurece, estratégias que antes eram suficientes para impulsionar o crescimento dos negócios digitais, aplicadas de forma isolada, passam a exigir abordagem mais integrada entre elas.

Para Regis Bortolin, CRO e Diretor de Estratégias da Eduzz, é importante evitar concentrar todo o crescimento em uma única fórmula de sucesso de vendas. “Hoje, o desafio é construir negócios que cresçam de forma consistente. Cada estratégia deve cumprir uma função específica dentro da jornada do cliente: da aquisição à retenção, passando pela monetização e pela construção de comunidade”, afirma o especialista.

Confira algumas estratégias que estão dando certo na creator economy (e o que não está funcionando também).

  1. Empilhamento de funis
    Empreendedores digitais precisam parar de tratar o funil como linha reta. Um negócio digital maduro possui diferentes jornadas acontecendo simultaneamente: funil de aquisição, funil de ativação, funil de monetização, funil de recorrência, funil de retenção e comunidade, funil de ascensão para produtos de maior valor e funil de reativação, por exemplo. “Mais do que simplesmente criar campanhas, o criador de conteúdo precisa fazer com que cada estratégia alimente a seguinte. Um produto de entrada atrai clientes, a experiência fortalece confiança, a recorrência mantém relacionamento, produtos mais completos aumentam o valor ao longo da jornada. Eu chamo isso de ‘empilhamento de funis’”, explica Regis.
  2. Retenção é o novo growth
    Durante anos, o crescimento dos negócios digitais esteve concentrado em tráfego, leads, conversão e primeira venda. Com o aumento da concorrência e dos custos de aquisição, a vantagem passa a ser de quem consegue sustentar a relação mantendo consumidores engajados e estimulando novas compras. O desafio agora não é apenas vender novamente, mas continuar relevante na jornada do cliente. “Mais de 70% dos usuários que realizam compras na Eduzz avançam para a 2ª compra, reforçando que a retenção deixou de ser apenas métrica de pós-venda para se tornar um dos principais motores de crescimento”, conta.
    Segundo o especialista, a primeira compra pode acontecer por promoção, influência, urgência ou uma boa campanha. Já a recompra sinaliza confiança. A permanência após a terceira ou quarta compra demonstra que existe uma relação real e uma proposta de valor consistente.
  3. Comunidade é um ativo do negócio
    Mais do que reunir seguidores em redes sociais ou grupos de mensagens, construir comunidade significa criar a sensação de pertencimento, de um ambiente interativo aberto à troca, desenvolvendo uma conexão menos dependente dos algoritmos das plataformas. Comunidade exige narrativa, identidade compartilhada, uma bandeira, um inimigo ou problema em comum.

Comunidades produzem uma relação mais resistente à mudança de ferramenta e de tendência, enquanto a audiência depende de algoritmo, mídia, relevância momentânea e frequência de publicação. Uma comunidade sólida permite ampliar o modelo de negócio para cursos, eventos, produtos físicos, mentorias, assinaturas e serviços. De acordo com Regis, “comunidade vence no longo prazo, especialmente quando produto e experiência começam a se tornar commodities”.

  1. Depender apenas de lançamentos pode limitar o crescimento
    Os lançamentos continuam sendo ferramentas importantes para acelerar vendas e gerar caixa, mas não sustentam sozinhos a estratégia da empresa. Negócios mais resilientes orquestram diferentes estratégias. Lançamento pode gerar caixa, low ticket pode ativar novos clientes, recorrência trabalha retenção, bons conteúdos constroem audiência, mentorias e high ticket aprofundam monetização.
  2. Escalar antes de estruturar é um erro que custa caro
    Regis conta que a maioria dos negócios (e aqui ele não se refere apenas aos negócios digitais) não quebra por falta de venda, mas sim quando começa a vender. “O aumento das vendas amplia a demanda de atendimento, produto, financeiro, tecnologia, suporte, gestão de pessoas, logística e por aí vai. Quando essas áreas não acompanham o crescimento, o faturamento deixa de significar saúde empresarial e gera sobrecarga no negócio”, diz.

Alguns dos problemas que surgem com o crescimento são a falta de processos, a centralização no fundador, a ausência de lideranças, um atendimento que piora com o crescimento, o aumento de cancelamentos e mesmo a dificuldade de transformar receita em margem.

  1. Marketing não deve mandar no negócio
    Campanhas e estratégias de marketing são fundamentais para impulsionar resultados, mas não podem definir sozinhas os rumos da empresa. Quando uma empresa se torna dependente de uma única campanha, plataforma ou calendário de lançamento, começa a organizar produto, equipe e caixa ao redor da ferramenta e não do cliente e nem da estratégia empresarial. O caminho mais sustentável é primeiro entender o modelo de negócio, depois, definir como criar, entregar e capturar valor e por fim escolher as estratégias que cumprem esses objetivos.