
É o fim do silêncio estratégico nas redes ?
O distanciamento das lideranças corporativas do ambiente digital está com os dias contados, mas o tom das conversas ainda passa longe de temas espinhosos. É o que revela um estudo inédito liderado pela professora Lilian Carvalho, do Centro de Estudos em Marketing Digital da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP),em parceria com a Elementar Comunicação, especializada em reputação de líderes e marcas. O levantamento mapeou o comportamento de 225 presidentes das maiores empresas do país, unicórnios e instituições financeiras no LinkedIn, entre 2025 e 2026.
O cenário aponta um avanço na atividade online, mas escancara uma escolha do diretor executivo brasileiro pela “fala segura”. O otimismo, as conquistas institucionais e as pautas ligadas à inovação dominam os feeds. Já as discussões sobre economia, política, diversidade e sustentabilidade patinam, com receio de polarização e cancelamentos.
Para entender essa evolução, basta olhar para trás. Em 2022, a primeira edição do estudo da FGV EAESP mostrou que 45% dos líderes avaliados não tinham sequer um perfil ativo. Hoje, todos os 225 líderes analisados possuem perfil ativo na plataforma e geraram, juntos, mais de 8 mil publicações em um ano.
A professora Lilian Carvalho explica o que motivou a mudança no perfil das lideranças analisadas nesta nova edição. “Na pesquisa anterior, o recorte ficava restrito ao anuário Valor 1000, o que deixava de fora setores com uma presença digital importante, como grandes bancos e startups de alto crescimento (os chamados unicórnios). Por isso, optamos por expandir essa amostra usando a metodologia Delphi, que consulta anonimamente especialistas do mercado, como diretores de RH e headhunters, até chegar a um consenso sobre quais executivos realmente exercem impacto na sociedade. Isso nos permitiu incluir as empresas e os líderes que realmente pautam as conversas e têm relevância hoje”, detalha.
Para Luciana Lima, cofundadora e diretora executiva da Elementar, os números refletem uma mudança de mentalidade na alta gestão. “A gente percebe que os líderes finalmente entenderam que a reputação digital não é vaidade ou vitrine de RH. Ela é uma alavanca de negócio”, avalia.

