
IA dobra de tamanho a cada três meses
Redação
Quem teve o privilégio de passar pela Arena Impacto, dia 3, no Itaú Cubo, saiu com a sensação de espiar o futuro pela fechadura do tempo. Lá, um sem número de pessoas (de várias áreas, não só de TI) estão produzindo aplicativos, softwares, enviando Data Center para o espaço (no sentido literal) e cuidando da horta nossa de cada dia, porque é só na Terra que se produz alimentos. Até 2040 / 2050 viveremos um período de pós-escassez, devidamente anunciado pelo ciclo que se aproxima do fim. Claude e Gemini mostram que são melhores do que programar em códigos, mas serão reconhecidos como “porcarias” em vista do que vem pela frente. O progresso tecnológico já existe, é inexorável, imensurável, agora a preocupação é viabilizar a adição de energia (com a inestimável colaboração espacial) ajustar a produção de alimentos para absorver 2 bilhões de bocas que chegarão ao mercado até 2050 e se preparar para viver 120 anos.
Pensar fora da caixa não é fácil. É bem mais simples acompanhar o “efeito manada”, mas em um mundo cheio de incertezas é necessário. E se aquilo que for pensado fora da caixa for levado ao Cubo Itaú, espaço que abriga 500 eventos/ano, apoiando startups, levando investidores e o conhecimento, a coisa fica ainda mais interessante. Ouvir cientistas, que convivem e pesquisam tecnologia há décadas, é uma rica experiência. “Talvez vocês saiam daqui com muito mais perguntas do que a hora em que chegaram”, advertiram o apresentador Cassiano Ribeiro (Head do Globo Rural e presença constante na CBN) e o pesquisador Paulo Vicente Alves. Os mais velhos concordaram que iriam “pirar o cabeção”, como se dizia à época deles. Os convidados revisitaram um pouco do caos que vivenciamos – com guerras, mau uso dos recursos naturais e uma tal “destruição criativa”, que eliminará empregos mas, em contrapartida, vai gerar muito mais com novas atividades impulsionadas pela tecnologia.

Calma, que em 2030 tudo melhora! A certeza da frase foi expressa por Paulo Vicente Alves, pesquisador e professor da Fundação Dom Cabral, convidado pela Solinftec, promotora do evento. A empresa, brasileira (uma das líderes em IA e Saas), foi criada em 2007 por engenheiros de automação cubanos. Voltada ao agronegócio, a Solinftec gerencia mais de 12 milhões de hectares no Brasil, Estados Unidos, Canadá e outros países da América Latina – são 14, no total, com 15 milhões de dados processados por dia.
Economia de recursos
“Inteligência Artificial é igual a um software. Hoje se você pegar um carro top de linha vai encontrar mais software que em um avião de dez anos atrás”, comparou Ricardo Cavallini, pesquisador, palestrante e autor de sete livros sobre tecnologia. Com o uso de tecnologia, você pode economizar até 87% na aplicação de fertilizantes, no campo, prosseguiu. Outro exemplo? Uma prosaica empresa de ônibus pode fazer promoção de passagens, instantâneas, com IA. Se a concorrente operar manualmente, levará dias…
E é isso que precisamos observar também. Não estamos sozinhos no mercado, há sempre concorrentes. Portanto, o momento é agora! – enfatiza Cavallini, acrescentando que o custo de não entrar é maior que o custo de entrar (na tecnologia). Houve época em que a tecnologia dobrava de tamanho, a cada sete anos. “Hoje a IA dobra a cada 3 meses”, destaca o pesquisador, argumentando que os dados coletados no dia a dia precisam ser estruturados e as pessoas necessitam de letramento. “Não é mandar gente embora e botar IA no lugar. Isso é uma visão tacanha”, arguiu, adiantando que como a tecnologia é transversal, em breve criar software deixará de ser exclusividade da área de TI. “Vivemos uma época de incertezas, mas nós, brasileiros, estamos treinados nisso”, brincou.
Luis Caro, da Amazon, destacou os benefícios da nuvem, falou da importância do Brasil em abrigar Data Center da companhia. Ele tratou da IA Agêntica (sistema capaz de aprender, memorizar, planejar, decidir e executar ações, sem intervenção humana). Já o representante da Oracle, Marco Righetti, no painel 1, deu ênfase aos investimentos Capex (aquisição de bens, para melhorar ou expandir infraestrutura), classificando-os como caros, mas necessários. E ilustrou com a transição da telefonia fixa para a móvel. Manuel Coelho, Head da Siemens Healthineers (a empresa de saúde da Siemens), afirma que para melhor compartilhamento de dados a resposta é a nuvem. No entanto, quando existir criticidade operacional o ideal é trabalhar os dados internamente também e não só na nuvem. “A nuvem não é coisa etérea, é um Data Center, com computadores, estrutura física, energia, água, pessoas”, completou Righetti.

Sobrarão empregos
Especialista em geopolítica e inovação, o professor e pesquisador Paulo Vicente garante que em um futuro breve sobrarão muitos empregos e pouca capacitação para ocupa-los, enquanto outros simplesmente sumirão do mapa. Essa é a destruição criativa. Para ele, o investimento em tecnologia só acontece quando modelos se esgotam – “do contrário não se coloca dinheiro para tomar risco” — e este é um desses momentos históricos. O pesquisador acompanha início e fim de ciclos tecnológicos. E diz que o atual se encerrará no fim da década. Daí sua fala: “Calma que em 2030 tudo melhora!”
Dentro da sua perspectiva, duas coisas são absolutamente imprescindíveis para o futuro: adição de energia (usar a irradiação espacial para esfriar os Data Centers e a prática do garimpo de minérios em outros planetas) e alimentação. Estados Unidos estão em trajetória descendente, a exemplo do que acontece com a população europeia, asiática e parte da sulamericana, mas a África deverá colocar novos habitantes à mesa, assim como alguns miseráveis passarão a se alimentar ao menos como “classe média pobre”, o que dará, nas contas dele, mais 2 bilhões de bocas, a partir de 2050.
Como se vê, ainda existem muitas incógnitas – como uma possível continuidade dos conflitos na Ucrânia e Oriente Médio – e é justamente por isso que Pesquisa & Desenvolvimento não pode ficar pra trás.
Inteligência artificial: o novo aliado do setor financeiro | Jornal Empresas & Negócios



