445 views 8 mins

7 erros comuns de quem tenta usar tecnologia nos negócios

em Manchete Principal
quinta-feira, 24 de julho de 2025

Mesmo com alta adesão à digitalização, 70% a 90% das iniciativas tecnológicas fracassam por falta de estratégia, dados ou engajamento interno

A tecnologia nunca esteve tão acessível e tão mal utilizada. Nos últimos anos, empresas de todos os tamanhos apostaram na digitalização como forma de escalar resultados, automatizar processos e oferecer experiências mais personalizadas aos clientes. No entanto, nem todo investimento em inovação se traduz em valor real.

Conforme o Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr) 2024, elaborado pela PwC Brasil em parceria com a Fundação Dom Cabral, 41% das empresas ainda consideram a transformação digital um eixo central de investimento, mesmo em um cenário de contenção de custos. Por outro lado, 45,1% adotam uma postura mais cautelosa, limitando-se a ações pontuais e com investimentos restritos — o que pode comprometer o impacto dessas iniciativas.

Essa hesitação e falta de foco ajudam a explicar por que tantas estratégias digitais falham: segundo a McKinsey, entre 70% e 90% dos projetos de transformação digital não atingem os resultados esperados. Na maioria dos casos, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é escolhida, implementada e conduzida internamente.

A tecnologia da moda nem sempre é a melhor escolha
Sem uma estratégia clara, decisões tecnológicas costumam ser baseadas em modismos ou na pressão por “não ficar para trás”. É o que acontece, por exemplo, com a inteligência artificial: embora tenha um enorme potencial transformador, sua adoção sem propósito definido pode resultar em desperdício de recursos e frustração.

“Os números impressionam, mas também levantam um alerta: não basta investir em inteligência artificial, automação ou big data. O verdadeiro diferencial está em como essas tecnologias serão aplicadas. Sem uma estratégia clara, orientada por dados e focada em resultados, os investimentos correm o risco de se tornarem apenas despesas, e não motores de crescimento”, comenta o vice-presidente de Estratégia de Crescimento e Inovação de Portfólio da Keyrus, multinacional de tecnologia, Rodrigo Cruz.

Para evitar esse cenário, é essencial compreender o estágio de maturidade digital da organização e avaliar quais ferramentas de fato se conectam com os objetivos do negócio. Tecnologias como machine learning, automação de processos, cloud computing, segurança cibernética e plataformas low-code vêm ganhando espaço nas empresas justamente por aliarem eficiência, escalabilidade e adaptabilidade, mas todas exigem planejamento, integração com sistemas existentes e preparação da equipe para sua adoção.

“Cada empresa tem desafios únicos, por isso, é fundamental entender suas particularidades e propor uma arquitetura digital que favoreça a tomada de decisão, o engajamento dos clientes e o crescimento sustentável”, explica Cruz.

Os principais erros e como evitá-los

  1. Implementar tecnologia sem estratégia clara
    Adotar ferramentas sem objetivos bem definidos é um dos erros mais comuns. Sem entender qual problema se busca resolver, corre-se o risco de aplicar a tecnologia de forma genérica, sem retorno mensurável.
    Como evitar: Estabeleça metas específicas desde o início e relacione cada investimento tecnológico a um desafio concreto do negócio.
  2. Subestimar a qualidade dos dados
    Soluções avançadas, como IA ou analytics, exigem dados limpos e confiáveis. Caso contrário, os resultados serão distorcidos ou ineficazes.
    Como evitar: Invista previamente em governança e infraestrutura de dados. Um bom projeto tecnológico começa com dados bem estruturados.
  3. Ignorar a resistência interna à mudança
    A melhor tecnologia falha se os colaboradores não estiverem preparados — ou dispostos — a usá-la.
    Como evitar: Envolva os times desde o início. Explique os benefícios da mudança, ofereça capacitação e crie um ambiente seguro para dúvidas e adaptação.
  4. Escolher soluções complexas demais para o momento da empresa
    Plataformas sofisticadas podem parecer atrativas, mas se estiverem além da capacidade atual de uso ou integração, geram mais obstáculos do que resultados.
    Como evitar: Opte por soluções escaláveis, que cresçam junto com a maturidade digital da organização.
  5. Não considerar a integração com sistemas existentes
    Ferramentas que não se comunicam entre si criam “ilhas de informação”, dificultando o fluxo de dados e a visão integrada do negócio.
    Como evitar: Mapeie os sistemas já utilizados e escolha soluções que se integrem facilmente à infraestrutura atual.
  6. Desconsiderar os custos de manutenção e evolução
    O valor de uma tecnologia não se limita à sua aquisição. Atualizações, licenças, suporte e treinamento contínuo também devem entrar na conta.
    Como evitar: Calcule o TCO (Custo Total de Propriedade) antes de fechar qualquer contrato e reserve orçamento para os custos recorrentes.
  7. Não estabelecer métricas de acompanhamento
    Sem indicadores claros, é impossível avaliar se a tecnologia está gerando os impactos desejados.
    Como evitar: Defina KPIs desde o planejamento e monitore os resultados com regularidade, ajustando a rota sempre que necessário.

Como colocar a estratégia em prática?
Para evitar esses tropeços, especialistas recomendam uma abordagem estruturada e progressiva. Tudo começa com um diagnóstico realista do nível de maturidade digital da empresa. A partir daí, é possível desenvolver um roteiro de transformação que esteja alinhado com os objetivos estratégicos da organização e não apenas com o que o mercado está fazendo.

A implementação, por sua vez, deve ocorrer por meio de projetos-piloto que permitam testar hipóteses e ajustes antes de escalar. A capacitação contínua das equipes é outro pilar fundamental, garantindo que as novas tecnologias sejam realmente incorporadas à rotina. Por fim, o monitoramento sistemático de resultados permite não apenas validar o investimento, mas gerar aprendizados valiosos para as próximas etapas.

“Vale lembrar que a transformação digital não é um destino, mas uma jornada contínua de evolução. As empresas que entendem isso conseguem não apenas se adaptar às mudanças do mercado, mas liderar a inovação criando valor real para seus clientes e para o negócio sem errar no caminho”, finaliza Rodrigo Cruz.