Novo normal torna premissa a inteligência emocional nas empresas

Segundo pesquisa da UFMG, em conjunto com a Troposlab, 51,1% dos profissionais tiveram a vida parcialmente afetada pela pandemia, enquanto 24,9% afirmaram que foram muito afetados. Realizado em junho, o estudo contou com 653 respostas. Neste período, a necessidade do acompanhamento e cuidados com a saúde mental e o início do uso de medicamentos, como antidepressivos, ansiolíticos ou ambos, foi relatada por 15,6% dos entrevistados.

As mulheres apresentaram maior intensidade de sintomas para ansiedade (28,5%), quando comparadas aos homens (22,2%), estresse (5,36%) e nos homens (5,22%), além de maior prevalência de depressão (10,4% para mulheres e homens 3,4%).
“Motivos não faltam para justificar o aumento de transtornos nos profissionais. Alguns já se estabilizaram, mas ainda há empresas e estabelecimentos que não conseguem fechar a conta”, afirma a Dra. Cristiane Romano, mestre e doutora em Ciências e Expressividade pela USP.

O fato é que, hoje, diante de tanta instabilidade, uma característica se tornou fundamental no mercado de trabalho: a inteligência emocional. Por mais qualificado que seja o funcionário, é imprescindível que ele tenha também racionalidade e controle emocional. “A inteligência emocional é a competência responsável por boa parte do sucesso e da capacidade de liderança de um ser humano”, reforça a especialista. Às vezes, nem imaginamos que uma pessoa com quem convivemos diariamente está passando por problemas sérios relacionados a conflitos de família, por exemplo.

“Em uma determinada situação de stress ou desentendimento com alguém, é possível que esse funcionário possa, inconscientemente, buscar na sua memória algum destes problemas e ativar um gatilho emocional, reagindo de modo que possa até comprometer seu emprego”, avalia Cristiane. No novo normal, muitas empresas precisam ter o olhar voltado ao emocional de seus colaboradores. Caso contrário, poderão perder grandes talentos. “Isso vale para gestores. Aquele que também está passando por crises, é provável que desempenhe uma rigidez exacerbada, causando tensão e desmotivação na equipe”.

Um trabalho minucioso no contexto pessoal dos funcionários identificaria padrões comportamentais, facilitando o auxílio na melhoria da inteligência emocional de cada um. Este processo custa muito menos do que a reposição de um bom profissional ou a perda de produtividade de toda uma equipe. “Foi-se o tempo em que os problemas pessoais ficaram da porta da empresa para fora. Hoje, auxiliar o funcionário no aperfeiçoamento de sua inteligência emocional é uma estratégia assertiva. Ambos saem ganhando: a empresa, por diminuir uma sobrecarga psicológica já instalada pela pandemia, e o profissional, que irá melhorar seu desempenho e sua produtividade”, diz Cristiane.

O ideal seria realizar um processo semelhante ao que se faz em uma terapia. Neste processo, será possível entender o momento atual da pessoa e até questões familiares e de infância, fatores que dizem muito sobre alguém. “Como estamos em um mundo caótico, o melhor a se fazer é identificar o nível de inteligência emocional do candidato, se aprofundar no seu lado pessoal e, caso ele tenha qualificação para a vaga em aberto, contrata-lo e ter disponível na empresa não somente um RH que saiba identificar talentos, mas também profissionais especializados para ajudar a lidar com o lado psicológico dos colaboradores”, finaliza Cristiane.

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