O mercado de Direitos Creditórios ganha força no Brasil

Carlos Eduardo Benitez (*)

Você já deve ter ouvido falar na sigla FIDC. O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios é um dos ativos que vem chamando a atenção dos investidores, principalmente com a renda fixa voltando a ganhar protagonismo no mercado por conta da elevação da taxa de juros. Regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em dezembro de 2001, é considerado um veículo de securitização de recebíveis caracterizado pela aquisição de direitos creditórios.

O fundo investe ao menos 50% de seu patrimônio em títulos de créditos de contas a receber de alguma empresa. A dinâmica do FIDC segue o seguinte fluxo: muitas empresas oferecem produtos e serviços a um prazo mais estendido, porém, necessitam manter o caixa até receber o pagamento por meio de cheques, parcelas de cartão de crédito ou aluguéis.

Para contar antes com o dinheiro, a companhia negocia esses direitos a receber — ou direitos creditórios — que são adquiridos por investidores. Quando o pagamento da dívida é realizado, o dinheiro não vai para empresa, mas sim para os investidores. Desde o início, o grande mercado de atuação dos FIDCs sempre foi a antecipação de duplicatas e contratos de naturezas diversas, representando uma importante ferramenta para a captação de recursos, facilitando o acesso ao crédito a milhares de empresas e indivíduos.

Recentemente, o mercado de FIDCs rompeu a barreira dos 1.000 fundos em operação, totalizando 1.054. Apenas no ano passado, foram feitos quase 14 mil negócios desse tipo, somando um montante total de R$ 16,9 bilhões. Além disso, fechou o período com um estoque total de R$ 173,7 bilhões — em 2016, esse valor era de R$ 65,9 bilhões, crescimento superior a 266%.

Há um bom tempo, as instituições financeiras têm utilizado o modelo de securitização do FIDC, que consiste em uma estrutura mais leve, organizada e mais barata do que o gerenciamento próprio de carteiras de crédito. Tornou-se uma forma de financiamento para diversos setores da economia.

A entrada das fintechs no mercado brasileiro e o aumento do volume de operações digitais de crédito nos últimos cinco anos fez com que o mercado de FIDCs ganhasse mais relevância, pois a evolução do mercado financeiro está intrinsecamente ligada ao crescimento do número de FIDCs e ao volume de recursos investidos.

De acordo com dados da Anbima, o volume de ofertas públicas desses fundos atingiu o maior patamar dos últimos seis anos, com 42,6 bilhões de reais emitidos até setembro, montante 26% maior do que o registrado no mesmo período de 2020.
A tecnologia tem facilitado a entrada de operações de empresas que parcelam suas vendas para seus clientes, em um ambiente de captação de recursos. Esse movimento possibilita o aumento da oferta de crédito, e consequentemente, a melhoria da condição econômica do país.

Ao longo dos anos, acompanho a evolução do mercado de FIDCs enquanto instituição financeira, auxiliando nossos parceiros na estruturação do fundo, na construção da política de crédito e cobrança, além do desenvolvimento tecnológico. O papel da tecnologia na consolidação desse mercado permitiu que pudéssemos dar passos além, com o desenvolvimento de um sistema de crédito que envolve um motor ágil e responsivo, composto por inteligência artificial e machine learning.

Acredito na força dos FIDCs como um instrumento que não somente trará mais lucros para os investidores no atual momento econômico do país, mas também como uma importante mola propulsora da transformação do mercado de crédito no Brasil. Para as empresas que pensam no assunto, vale uma atenção a mais para considerar esse tipo de estrutura de negócios.

(*) – É CEO da BMP Money Plus (https://moneyp.com.br/).

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