190 views 4 mins

Mercado se prepara para a blitz no sabor chocolate

em Economia
quarta-feira, 17 de junho de 2026

Consumidor precisa saber evitar armadilhas

Redação

O mercado de chocolates vai mudar. A partir de 2027 fabricantes estarão obrigados a destacar na embalagem o percentual exato de cacau na composição (acima de 35%), para que não exista tentativas de enganação como “sabor chocolate”, por exemplo. Mas antes a indústria e associações de produtores, no Brasil, reforçarão campanhas contra o “sabor chocolate” disfarçado de produto puro. É preciso que o consumidor seja educado e saiba a diferença na hora de comprar um alimento, que no passado já foi remédio, de uma coisa que se parece com chocolate, na cor, mas não tem a ver – explica Paulo Gonçalves, que produz 32 toneladas/mês de cacau e chocolate raiz. Apostando no sucesso da nova legislação, espera atingir as 80t/mês de capacidade instalada.

Empresário cacaueiro, já na terceira geração de produtores da família que começaram no Sul da Bahia e posteriormente instalaram-se no Espírito Santo, Paulo Gonçalves falou ao Empresas&Negócios sobre as dificuldades do mercado brasileiro e as perspectivas de um modelo mais clean de negócios, que prevê a política do “rótulo limpo”. Lembra ele que não é apenas o chocolate que vem sendo atacado por indivíduos ´sabor empresários´. O leite, queijos e iogurtes, por exemplo, têm enfrentado maquiagem da indústria há um certo tempo tembém. “Se você não prestar atenção, vai comprar ´compostos´ de leite, `compostos` de chocolate, de iogurtes etc… e isto não é honesto, porque o consumidor precisa saber exatamente o que está levando”, enfatiza.

Termômetro

Como saber o que é chocolate verdadeiro? Massa de cacau deve ser o primeiro ingrediente de um chocolate. Outra coisa básica: gordura vegetal não cabe no chocolate. Se tiver, “foge que é cilada, Bino” (dizia o personagem da série televisiva Carga Pesada, que se popularizou no país).

Além destas informações básicas – que vão fazer diferença na hora de você pagar R$ 9,00 ou R$ 19,00 no produto da gôndola – tem um outro aspecto no mercado: cacaus de Gana, Costa do Marfim e da Indonésia chegam ao país por preços mais baixos, e qualidade idem. Aqui se misturam ao cacau brasileiro para, então, extrair um “blend” e ter preço mais baixo. “Isso é difícil de se combater também, o que em alguns casos leva ao desestímulo do produtor e queda na produção local. “Por isso precisamos de um consumidor atento”, defende Gonçalves, criador da marca Espírito Cacau há 13 anos. Além do cacau, hoje a família Gonçalves faz o produto final e, com inteligência, exporta metade da sua produção para Emirados Árabes, Taiwan e Estados Unidos. Na mira, agora deverá atingir mercados sul americanos como Uruguai, Paraguai e Chile.  

A Lei (nº 15.404/2026, que entrará em vigor no ano que vem) é boa, para disciplinar o mercado, mas serão as campanhas de conscientização do consumidor que farão a diferença. Agora, se você que já tem tanta informação guardada na cabeça se atrapalhar na gôndola, na hora de comprar seu chocolate, vá à fórmula. Quanto mais ingredientes o produto anunciar menor será a chance de ser verdadeiro; quanto menos ingredientes, mais puro tende a sê-lo

Páscoa: como vencer o desafio de manter as vendas sem chocolates? – Jornal Empresas & Negócios