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De olho num futuro mais sustentável, como o modelo de comercialização de excedentes ganhou escala no Brasil?

em Artigos
quinta-feira, 18 de junho de 2026

Lucas Infante (*)

No Brasil, cerca de 46 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano, o equivalente a R$ 61,3 bilhões ou aproximadamente 3% do PIB, segundo o IBGE. Parte significativa dessas perdas ocorre dentro da própria cadeia, antes mesmo da chegada ao consumidor final, devido a falhas na previsão de demanda, ruptura de estoque, validade e giro abaixo do esperado. Transformar excedentes em valor não apenas reduz custos, mas melhora indicadores operacionais críticos, como giro de estoque, quebra e aproveitamento de produtos próximos  ao vencimento.

A redução de desperdício deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a integrar a estratégia operacional de varejistas e indústrias de alimentos. Só pra se ter uma ideia, de acordo com dados do Relatório de Impacto de 2026 da Food To Save, a comercialização estruturada  de excedentes de produção gerou R$ 31 milhões em receita incremental para centenas de empresas que atuam no varejo alimentar, de padarias, até franquias e grandes grupos de supermercados. Além disso, evitou o descarte de mais de 3 mil toneladas de alimentos, fortalecendo a margem e a eficiência das operações. 


O resultado evidencia que as perdas não são inevitáveis, mas reflexo direto de decisões de gestão, previsão de demanda e logística. Empresas que integram a gestão de excedentes à rotina diária conseguem tomar decisões mais precisas sobre estoque, reposição e logística, transformando perdas em oportunidade de receita.

Quando o excedente é  tratado como indicador estratégico e não como algo inevitável, cada decisão de compra, reposição e ajuste de estoque passa a gerar impacto direto na margem e na sustentabilidade da operação. É nesse alinhamento entre eficiência e ESG que o varejo encontra  vantagem competitiva. Desperdício é perda direta de margem. Quando a empresa passa a tratar o excedente como um indicador operacional, e não apenas como consequência do negócio, ela consegue capturar valor e aumentar eficiência.

De olho num futuro mais sustentável, o modelo de comercialização de excedentes, que ganha escala todos os dias no Brasil, reforça uma tendência ainda mais ampla: é preciso ampliar o debate para tratar a redução de perdas como parte integrante da gestão operacional e financeira. 

(*) Lucas Infante é CEO da Food To Save

Desafios e perspectivas das doações de alimentos no Brasil – Jornal Empresas & Negócios