Roupa com história

Em muitos aspectos, moda e estilo são elementos de expressão pessoal. Mas ambos podem ser vistos também pelo coletivo.

A impressão que temos é que escolhas como o que vestir são automáticas, frutos do livre arbítrio. Uma parte é, mas há ainda uma enorme parte em que somos influenciados pelo mundo a nossa volta. Mesmo que inconscientemente! Pense bem, por mais globalizada que seja a oferta de roupas, o acesso a determinadas marcas ou itens em cada cidade depende de diversos fatores, como distribuição, taxação, descontos e até oportunidade de uso.

Uma “tendência” (ou seja, um comportamento coletivo repetido que se propaga como uma onda) pode vir de uma inovação da indústria, por exemplo. Pense na mudança de pensamento que foi quando criaram o zíper, a praticidade que dava e possibilidade de usar roupas mais justas. Os fios sintéticos permitiram a confecção de roupas mais leves, resistentes à água, que esquentam ou que não esfriam… Tênis que hoje consideramos básicos e até clássicos já foram grandes novidades das quadras.

O esporte é uma enorme fonte de renovação, assim como os veículos de comunicação, como rádio, TV, impressos e internet. Quando sintonizados com as mudanças da sociedade, criam retratos de quem melhor representa uma época , uma região, uma faixa etária ou recorte demográfico. Assim, conseguem exprimir os desejos e anseios de um grupo de pessoas.

Os punks tinham um visual agressivo em resposta à recessão e austeridade econômica que castigava a população inglesa nos anos 1970. Os hippies usaram muitos elementos étnicos nas suas composições (em moda, musica e habitos) por conta de novas ofertas de roteiros turísticos nos EUA dos anos 1960. O quanto de nossas escolhas não são feitas levando em conta o clima brasileiro (normalmente quente e úmido), o transporte que usaremos naquele dia?

No fim das contas, foi você que puxou a camisa na arara da loja, uma decisão baseada unicamente em seus gostos e necessidades. Porém, até chegar ali, aquela peça de roupa também percorreu um longo caminho. E essa história é complementar à sua.

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