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Reforma Tributária: empresas terão de rever custos, fornecedores e caixa antes de 2027

em Mercado
quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Transição para o novo sistema tributário exigirá mudanças na gestão e poderá alterar relações com fornecedores, formação de preços e fluxo de caixa

A Reforma Tributária começa uma nova etapa em 2027, mas as empresas que deixarem para se adaptar quando as novas regras entrarem efetivamente em vigor poderão enfrentar dificuldades. A transição até 2032 exigirá mudanças em sistemas, processos, documentos fiscais e, principalmente, na forma como as empresas analisam custos, fornecedores, preços e fluxo de caixa.

Uma das principais preocupações nesse processo será entender como ficará o caixa dentro da nova sistemática. Embora parte das regras ainda esteja em regulamentação, esperar todas as definições para começar a agir pode reduzir o tempo disponível para testes e ajustes. Para as empresas, a preparação passa por entender como a nova tributação poderá afetar cada operação e quais mudanças serão necessárias na estrutura interna.

Mais do que uma alteração na forma de calcular impostos, a reforma poderá provocar uma mudança na própria cultura de gestão. Muitas empresas ainda concentram sua atenção no faturamento, sem conhecer com precisão a rentabilidade de cada operação.

O empresário terá de entender o custo do produto, o que está envolvido na operação e o impacto da tributação. Essa visão será especialmente importante para os pequenos e médios negócios, que precisarão avaliar não apenas quanto vendem, mas quanto efetivamente sobra de cada operação.

Com a nova sistemática de créditos tributários, a escolha de fornecedores poderá ganhar um peso ainda maior nas decisões comerciais. Uma empresa poderá considerar, além do preço e da qualidade, o impacto tributário de comprar de determinado fornecedor.
Dentro da cadeia, uma empresa poderá priorizar fornecedores que gerem os créditos esperados por seus clientes. Quem não compreender a nova sistemática poderá perder espaço comercial.

Na prática, isso significa que a Reforma Tributária poderá ultrapassar o departamento fiscal e chegar à área comercial. Empresas terão de conhecer melhor sua cadeia de fornecedores, avaliar contratos, analisar custos e entender como a tributação interfere na formação de preços.

A preparação começa antes de 2027
A adaptação também já chegou às estruturas contábeis. Empresas começam a buscar orientação para entender as mudanças e avaliar quais decisões precisam ser tomadas para 2027. O movimento é particularmente importante para negócios enquadrados no Simples Nacional, que deverão analisar as alternativas disponíveis diante do novo cenário.

Ao mesmo tempo, os sistemas utilizados pelas empresas precisarão estar preparados para as novas exigências. A emissão correta dos documentos fiscais será uma das etapas fundamentais da transição.

O momento exige planejamento porque ainda existem dúvidas entre empresários e profissionais. Reuniões, análises e orientações já fazem parte da rotina de muitas empresas, mas perguntas continuam surgindo à medida que os regulamentos são elaborados.

Outro aspecto que merece atenção é que a reforma não ocorrerá de uma única vez. A mudança será gradual e haverá um período de convivência entre o sistema atual e o novo modelo.

Em janeiro de 2027, começa o recolhimento da CBS, que substituirá PIS e Cofins. Já ICMS e ISS passarão por uma transição gradual, que se estenderá até 2032.

Para empresas que atuam em diferentes Estados e municípios, o acompanhamento poderá ser ainda mais complexo. A operação não estará restrita às regras de uma única localidade, exigindo atenção às diferentes particularidades existentes no país.

Reforma também é uma questão de gestão
A experiência de empresas que já vêm trabalhando na preparação para a reforma mostra que a antecipação pode fazer diferença. Treinamento das equipes, orientação aos clientes e realização de testes antes da entrada em vigor das novas regras são algumas das medidas que podem reduzir dificuldades durante a transição.

O impacto financeiro, porém, não será igual para todas as empresas. Não é possível afirmar de maneira generalizada que determinado setor pagará mais ou menos impostos. O resultado dependerá da atividade, da utilização de créditos, da estrutura da empresa e da própria cadeia de fornecedores.

Por isso, uma das principais mudanças trazidas pela reforma poderá estar menos no imposto isoladamente e mais na necessidade de o empresário conhecer profundamente o próprio negócio.

Custos, margem, fornecedores, contratos, formação de preços e fluxo de caixa passam a fazer parte de uma mesma análise. A empresa que olhar apenas para a alíquota poderá deixar de enxergar uma parte importante do impacto da mudança.

A Reforma Tributária, portanto, deve ser tratada como uma transformação que envolve toda a gestão empresarial. 2027 será um marco importante, mas não representará o fim do processo. A transição seguirá até 2032, exigindo acompanhamento, ajustes e decisões ao longo dos próximos anos.

Para o empresário, a melhor estratégia não é esperar a reforma acontecer para descobrir seus efeitos. É começar a fazer as contas agora.

Reforma Tributária: como avaliar se a sua empresa está preparada? | Jornal Empresas & Negócios