Vamos desligar o varejo? Não, apenas adaptar

Daniel Zanco (*)

A crise causada pela pandemia do Coronavírus expôs os brasileiros a desafios até então só imaginados em obras de ficção.

Isolamento social, criação de hospitais de campanha, bolsas despencando e governantes em desacordo. Além dos receios pessoais que todos estão enfrentando, há nos empresários de varejo uma preocupação adicional, que é a da perenidade de seus negócios e da manutenção dos empregos por eles gerados. Quando a escada rolante para, há duas coisas a se fazer: esperar ela religar ou começar a andar.
Existem formas de se movimentar, mesmo num cenário tão adverso, que são separadas em quatro frentes:

. Despesas – A primeira coisa a se fazer é estancar as despesas que podem ser cessadas, como de serviços que não serão prestados. Comece olhando quais são as suas maiores despesas, geralmente aluguel, pessoas e mercadorias; e locadores, mesmo os Shopping Centers, estão dispostos a rever valores de ocupação, condomínio e fundo de propaganda.

Em seguida, olhe para o seu time e avalie quem tem férias pendente, o saldo de banco de horas, seja criterioso e faça os movimentos necessários para reduzir despesas, sem esquecer do papel social do varejo na economia. Por fim, reveja seus pedidos, negocie descontos e prazo com os fornecedores e, na pior das hipóteses, cancele aquilo que não terá condições de revender.

. Receitas – Está difícil, mas longe de estar impossível. Agora é o momento de colher os frutos de anos de bom atendimento e de cultivo de uma boa carteira de clientes. Chegou a hora da loja ir até o cliente, fazendo uso de delivery – seja via marketplace ou via plataforma própria com menores taxas, vendas por WhatsApp com link de pagamento a distância, venda por “sacola” na casa do cliente e muito incentivo ao e-commerce.

Fique atento às restrições e regulamentações da sua cidade, mas em muitos casos a proibição será apenas para receber o público e não a equipe que pode operar como dark store (ponto de venda ou centro de distribuição que atende exclusivamente a compras online).

. Comunicação e liderança – É nesse momento que surgem os grandes líderes. Mostrar para seu time que há um porto seguro, que eles terão perspectivas e que o mundo irá em algum momento retomar seu ciclo é muito importante para acalmar os ânimos. Outra dica que pode elevar os resultados e manter vivo o espírito de equipe é a realização de reuniões, com o time que não está presente e mostrar que home office não significa férias e que, mesmo a distância, os objetivos continuam presentes.

. Preparação para a retomada – A situação vai passar e, quem estiver mais preparado na sua retomada, sairá na frente. Aproveite o tempo do recesso para inventariar e organizar seu estoque, planejar seus próximos ciclos, capacitar seu time, turbinar seu e-commerce, descrever seus produtos, integrar seus canais, criar um programa de fidelidade e tantas outras atividades que podem levar seu varejo para um outro nível.

Lembre-se que foi uma epidemia que acelerou a Transformação Digital na China, que a cada greve dos bancos, mais usuários de internet banking surgem e, sem dúvida esse movimento que vai transformar o varejo brasileiro, acelerando sobretudo, a omnicanalidade. Sem dúvida, o momento é um dos mais desafiadores, mas temos duas grandes certezas: ele vai passar, e se não fizermos nada, as consequências serão piores.

Chegou o momento de seguir lutando e se preparando para o dia em que os clientes voltarão a bater nas portas das lojas.

(*) – É diretor de Segmento na Linx.

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