Exceto fabricantes de vacinas, nada é mais inovador do que os marketplaces

Romulo Perini (*)

Ambientes de vendas online estão longe de ser novidade pois existem, praticamente, desde a popularização da internet, a partir da década de 1990.

Cada vez mais modernos, os marketplaces se tornaram ainda mais importantes e lucrativos com o início da pandemia da Covid-19 – por razões óbvias –, entre consumidores, comerciantes e investidores. As evoluções em termos tecnológicos estão aliadas à simplicidade e facilidade que este tipo de serviço demanda, em virtude da diversidade do público que necessita do mesmo. Mas um fato vem me chamando atenção: apesar de simples, empresas do ramo se mantêm entre as mais inovadoras do mundo.

Recentemente, Fast Company fez o levantamento anual das 50 companhias que mais se destacaram nesse quesito. Responsáveis pela criação de vacinas contra a Covid-19, as empresas Moderna e Pfizer-BioNTech ocupam os dois primeiros lugares, mas, surpreendentemente, quem fecha o pódio é a canadense Shopify, que incentiva empreendedores a digitalizar seus negócios, especialmente através da criação de lojas online.

A plataforma ficou à frente de marcas reconhecidamente inovadoras, como as gigantes Netflix, Microsoft, Space X (do mais que popular Elon Musk) e Sony. A lista traz, ainda, a plataforma líder em venda de vestuário de luxo, Farfetch, na posição de número 23. Como explicação, esse segmento segue relevante e figurando entre os mais inovadores por um motivo: fazer o simples. A maioria das empresas trabalha com soluções digitais que favorecem, principalmente, usuários que não estão familiarizados com ferramentas mais complexas.

Pode parecer besteira, mas basta pegar como exemplo um segmento que as pessoas consideram extremamente necessário nos dias de hoje, o das redes sociais. A cada atualização, recheada de “invenções de moda”, é comum depararmos com uma infinidade de queixas como “prefiro a versão antiga” ou “não vou me acostumar com o novo layout”. Os usuários dificilmente abandonam o produto, mas o impacto negativo na experiência é evidente.

No caso da Shopify, a empresa disponibiliza uma série de recursos para suportar e facilitar a operação por parte de lojistas, como definição de nome e identidade visual – com layout simples e ao mesmo tempo moderno –, integração com redes sociais, gerenciamento dos pedidos e divulgação dos negócios. Outro diferencial em relação às outras plataformas da categoria é que ela oferece um marketplace que conecta lojistas que precisam de ajuda a prestadores de serviço freelancers.

Designers, desenvolvedores e especialistas em SEO são alguns dos profissionais que podem ser contratados por intermédio de um sistema automatizado. Com mais de 1 milhão de lojas cadastradas em 175 países, a plataforma já realizou perto de US$ 270 bilhões em vendas. Segundo a Fast Company, o faturamento do Shopify em 2020 foi 86% maior em relação ao ano anterior, atingindo US$ 2,9 bilhões. Os números impressionam e também são frutos dos efeitos da pandemia, que dificultou o acesso presencial a praticamente todo tipo de serviço.

Mas acredito que o investimento em plataformas e mecanismos que facilitam operações para comerciantes e consumidores continua sendo o principal fator que reflete em lucro e relevância para um setor idealizado ainda no século passado. Simplificar a relação ‘empresa/cliente’, no caso de vendas online, pode significar até mesmo corte de gastos.

Uma inovação nem tão disruptiva ou atraente realizada pela gigante Amazon, nos últimos anos, foi o grande investimento na criação de uma estrutura logística própria, que facilitou o manuseio e a entrega dos produtos vendidos na loja.

Afinal, entregar o pedido correto e no tempo prometido faz muita diferença na experiência de quem compra, que acaba sempre “retornando”.

(*) – É sócio da consultoria de inovação e venture builder Play Studio (https://playstudio.io/)

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