Gisela Bertelli (*)
O termo “vibe coding” foi eleito a palavra do ano de 2025 pelo dicionário britânico Collins.
A expressão se refere à velocidade de desenvolvimento proporcionada pela IA generativa, que é guiada por prompts em linguagem natural. Para protótipos rápidos, demonstrações visuais e experimentações, essa tendência cumpre seu papel: qualquer ferramenta de vibe coding cria telas, gerando resultados imediatos sem exigir conhecimentos técnicos aprofundados. Nesse universo, o frontend é o protagonista e tudo parece possível.
Mas o mundo corporativo não vive de aparência. Empresas que operam processos críticos como finanças, logística, saúde, energia, governo e varejo omnichannel lidam com requisitos que simplesmente não permitem o improviso. Estabilidade, rastreabilidade, repetibilidade, desempenho, integridade transacional e segurança são pré-requisitos inegociáveis. E é justamente aí que o vibe coding encontra seu limite. Com milhões de linhas de código, centenas de tabelas e dependências complexas, a abordagem probabilística do vibe coding simplesmente não se sustenta nesses setores. Pelo contrário, seu uso promove resultados frequentemente fragmentados como átomos ou moléculas úteis, porém isolados e sem visão holística do sistema.
Para empresas que operam com sistemas críticos, cabe uma abordagem de desenvolvimento mais robusta. Não se trata de dispensar os benefícios do vibe coding, mas em agregá-los. Neste modelo, temos as plataformas corporativas que combinam IA determinística e generativa, sendo que seu diferencial reside na engenharia séria do backend.
Enquanto o vibe coding encanta pela superfície, uma plataforma robusta entrega arquiteturas consolidadas baseadas em padrões empresariais testados; geração de código que garante comportamento consistente; governança forte com rastreabilidade e controle; segurança embutida alinhada a padrões internacionais; escalabilidade e integridade para lidar com grandes volumes de transações; integrações e interoperabilidade nativas com sistemas legados, bancos corporativos, serviços de cloud e ERPs (Enterprise Resource Planning) complexos; gestão sólida de dados que previne inconsistências invisíveis; e um ciclo completo do software com automação do desenho lógico à implantação.
Em outras palavras, o vibe coding representa uma evolução importante na forma de criar software: ele traz fluidez, acelera prototipação e amplia a capacidade criativa no frontend. Quando combinado com IA determinística, porém, seu potencial se expande ainda mais.
Empresas que possuem sistemas de missão crítica precisam ter plataformas baseadas em engenharia sólida, que geram código padronizado, seguro, auditável e repetível. A tendência é clara: essas tecnologias juntas geram o melhor software.
(*) CBO (Chief Business Officer) da GeneXus by Globant, empresa especializada em plataformas Enterprise Low-Code que simplificam o desenvolvimento e a evolução de softwares por meio da Inteligência Artificial.
