
Já é certo que a Inteligência Artificial destruirá postos de trabalho.
Vivaldo José Breternitz (*)
O que ainda não se conhece, com certeza, são os volumes de postos que serão destruídos, quais as funções e regiões que serão mais afetadas etc. Alguns acreditam que os impactos não serão muito sérios, e que medidas destinadas a mitigar demissões podem fazer com que a sociedade como um todo não sofra muito.
Mas alguns fazem previsões assustadoras, que tem mais peso em função dos cargos que ocupam – é o caso de Mustafa Suleyman, diretor executivo de IA da Microsoft, que afirmou em entrevista ao jornal Financial Times que a tecnologia poderá substituir a maioria dos trabalhadores de escritórios em um prazo que oscila entre 12 e 18 meses.
Segundo ele, sua empresa está desenvolvendo uma IA capaz de realizar praticamente todas as tarefas desempenhadas por profissionais humanos. A promessa é oferecer uma ferramenta que automatizará rotinas de advogados, contadores, gerentes de projetos, desenvolvedores de software, profissionais de marketing e outros.
Suleyman disse que, em dois a três anos, agentes de IA poderão administrar fluxos de trabalho de grandes organizações com muita eficiência. Ele acrescentou que criar esses agentes será tão simples quanto produzir um podcast ou escrever um blog, permitindo soluções personalizadas para cada organização ou indivíduo.
Suas afirmações contradizem posições mantidas até pouco tempo, quando gigantes da tecnologia dizia que IA serviria para “auxiliar” trabalhadores em tarefas repetitivas, não para substituí-los. Mas essa narrativa vem mudando: Amazon e Meta já relacionaram demissões em massa à adoção da tecnologia, embora alguns analistas digam que culpar a IA é um álibi conveniente para ocultar ineficiências de administradores, pois dados recentes mostram que, apesar das demissões, a adoção da IA ainda não trouxe retornos financeiros significativos para a maioria da empresas.
Se as previsões de Suleyman se confirmarem, o impacto será profundo: quase todos os profissionais que trabalham diante de um computador estarão em risco já nos próximos meses, justificando o neologismo que vem circulando no ambiente empresarial: IA trará um “jobs apocalypse”.
E para o Brasil, infelizmente, as perspectivas parecem ser ainda mais sombrias, pois se jovens altamente qualificados de nações ricas enfrentam barreiras cada vez maiores para conseguir um emprego, o que dizer da juventude brasileira, que em sua maioria não tem acesso a uma boa educação?
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas [email protected].



