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Como marcas nativas digitais viraram líderes de categoria no e-commerce brasileiro

em Tecnologia
quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Com vendas de itens para casa via lojas virtuais crescendo 61% em cinco anos, a catarinense Bem Casa usou dados de comportamento de compra no Mercado Livre para assumir a liderança em cobre-leito, categoria mais disputada do segmento.

O comércio eletrônico brasileiro mudou a forma como as marcas de produtos para casa nascem e crescem. Nos últimos cinco anos, a destinação de artigos de cama, mesa e banho para lojas virtuais cresceu 61% em valor, segundo levantamento do IEMI, um ritmo bem acima do restante do varejo do setor. Só no segundo trimestre de 2025, a categoria Casa movimentou R$10 bilhões no Mercado Livre, quase 20% de tudo o que é vendido na plataforma, de acordo com dados da JoomPulse. Nesse cenário, empresas que nasceram dentro do marketplace, sem loja física e sem histórico de varejo tradicional, têm conseguido algo que grandes fabricantes ainda buscam: liderar categorias inteiras usando dados de venda para decidir o que produzir.

É o caso da Bem Casa, marca própria da catarinense Cofari, que se tornou líder de vendas na categoria de cobre-leito no Mercado Livre. A marca não chegou lá com um portfólio amplo construído ao longo de décadas. Chegou observando o comportamento de compra dentro da própria plataforma e ajustando produção, preço e reposição a partir disso. “A gente não parte de uma intuição de moda ou de tendência. A decisão de investir em cobre-leito veio de olhar volume de busca, ticket médio e giro dentro do próprio marketplace. É um jeito de operar mais parecido com tecnologia do que com o varejo tradicional de têxteis”, diz o sócio-fundador da marca, Junior Cristofolini.

Com a liderança consolidada em cobre-leito, a Bem Casa está usando a mesma lógica para entrar em outras subcategorias de têxteis para o lar: tapetes, toalhas de banho, banhão e rosto, com produção curada na Ásia e América Latina. A escolha acompanha o movimento do próprio mercado brasileiro: o volume total importado de artigos de cama, mesa e banho cresceu 53,5% em 2024 frente ao ano anterior, segundo o IEMI. 

“Testamos categoria por categoria antes de escalar. O cobre-leito infantil, por exemplo, só entrou no portfólio depois que os dados mostraram demanda reprimida dentro do próprio Mercado Livre. É um modelo de expansão dirigido por evidência, não por aposta”, afirma Bruna Ferrari Pacher, sócia-proprietária da empresa. 

A aposta acontece em um momento em que o consumidor brasileiro redirecionou parte do orçamento para dentro de casa. O setor de cama, mesa e banho cresceu 20% em volume real entre 2019 e 2024, com produção nacional batendo 1,016 bilhão de peças só em 2024, alta de 4,6% frente ao ano anterior, segundo o IEMI. “Santa Catarina sempre teve know-how têxtil, mas o que muda o jogo agora é conseguir cruzar esse know-how com inteligência de dados de marketplace. Isso encurta o caminho entre identificar uma oportunidade e colocar o produto na casa do consumidor”, completa Bianca Ferrari Pacher, sócia da Cofari

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