
Com a popularização da inteligência artificial, é provável que em breve passemos a ouvir falar em CAIOs, ou Chief Artificial Intelligence Officers.
Vivaldo José Breternitz (*)
Embora não conheçamos nenhuma job description para esse cargo, algumas escolas de negócios nos Estados Unidos estão lançando programas de treinamento para preparar executivos para esse trabalho.
Apesar de ainda não estar claro quais serão exatamente as atribuições desse cargo, há quem já esteja desembolsando dezenas de milhares de dólares para garantir uma vaga nesses cursos, um dos quais é oferecido pela Booth School of Business, da Universidade de Chicago. Segundo o site da instituição, o curso prepara executivos para “conduzir iniciativas de IA, construir infraestrutura escalável e impulsionar a adoção transformadora da tecnologia”.
O programa, com duração de dez meses, será majoritariamente online, mas incluirá atividades presenciais voltadas à prática de construção de frameworks de IA para empresas. A Booth diz que ao longo do curso, os participantes aprenderão a “desenhar estratégias escaláveis, criar estruturas de governança responsável e gerar resultados mensuráveis em diferentes áreas de negócio”.
O preço é de US$ 28 mil por aluno, mas há desconto para quem pagar o valor integral até 11 de setembro. As inscrições já estão abertas para a próxima turma, que começa em 28 de setembro.
A grade curricular é composta por seis módulos centrais, que ajudam executivos a avaliar a prontidão de suas organizações para adotar novas tecnologias de IA, identificar oportunidades de negócio impulsionadas por algoritmos, aplicar boas práticas, desenhar estruturas de governança em conformidade com regulações e planejar a escalabilidade da tecnologia.
Por outro lado, enquanto alguns procuram se qualificar para a era da IA, nomes mais influentes dessa área têm aconselhado jovens a abandonar a universidade. Elon Musk, Alex Karp e Peter Thiel afirmaram recentemente que diplomas de quatro anos não valem o investimento, sobretudo para quem busca sucesso na área de IA.
Peter Thiel, cofundador da Palantir e graduado por Stanford, lançou inclusive um programa de estágio remunerado de quatro meses, chamado Meritocracy Fellowship, que incentiva estudantes a “pular a doutrinação” acadêmica e buscar um “diploma Palantir”.
Entre os defensores mais enfáticos da ideia de “dispensar a faculdade” está Alex Karp, CEO da Palantir, que ironicamente tem um doutorado obtido em Stanford. Outros líderes de grandes corporações, como James Farley (Ford) e Mark Zuckerberg (Meta), também já questionaram o valor dos diplomas universitários, embora não tenham sido tão incisivos quanto Musk, Karp e Thiel.
Educadores, no entanto, alertam que renunciar à formação tradicional pode colocar jovens em desvantagem em outros setores.
No Brasil já há escolas, como a XP Educação, oferecendo o que é chamado “MBA em IA para Negócios”. O preço é menos salgado que o da Booth: R$ 14 mil, mas “com 50% de desconto na matrícula”.
Talvez estejamos assistindo ao nascimento de um novo “MBA da moda”, embalado pela aura da inteligência artificial. A diferença é que, desta vez, o hype vem acompanhado de uma incerteza maior: ninguém sabe ao certo qual será o papel desses executivos quando a poeira baixar.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


