
A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, anunciou o lançamento do “modo estudo”, numa tentativa de reduzir o uso do chatbot por estudantes como ferramenta para se eximirem dos processos essenciais da aprendizagem.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo a empresa, o novo recurso “ajuda o aluno a resolver problemas passo a passo, em vez de apenas fornecer uma resposta”. Disponível em quase todas as versões do ChatGPT, o modo transforma o chatbot em um parceiro interativo, e não em um cúmplice de trapaças.
O uso de inteligência artificial generativa para fazer tarefas escolares ou redigir textos tem gerado grande preocupação no meio educacional – não apenas por questões éticas, mas porque o aprendizado é o principal caminho para o desenvolvimento cognitivo de crianças e jovens, o que não acontece quando tarefas são simplesmente delegadas ao software.
Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) apontou que estudantes que usaram o ChatGPT para escrever textos demonstraram menor engajamento cognitivo. Exames do cérebro mostraram queda na atividade de áreas ligadas à atenção, memória e raciocínio. Os textos entregues pelos participantes foram descritos pelos cientistas como “sem alma”.
“Do mesmo modo como o GPS enfraquece nosso senso de direção, depender da IA para escrever e raciocinar pode atrofiar nossa capacidade de realizar essas tarefas”, observou o relatório. “É um déficit cognitivo que aumenta com o tempo.”
Caso os estudantes optem por abdicar quase que totalmente do processo de aprendizado – deixando a IA fazer todo o esforço necessário – há comprometimento de seu desenvolvimento futuro. O novo “modo estudo” busca diminuir esse problema por meio de questionamentos e estímulos à reflexão.
A OpenAI afirma ter desenvolvido a funcionalidade com apoio de professores, cientistas e especialistas em pedagogia, com o objetivo de “ajudar os alunos a realmente aprenderem, e não apenas a concluírem tarefas”.
É claro que nada impede que um aluno em busca de boas notas com o menor esforço possível simplesmente ignore a nova ferramenta – o que não é incomum na adolescência.
Ainda assim, a iniciativa é um passo importante para evitar que a próxima geração passe os anos formativos entorpecendo, ao invés de exercitar, sua capacidade de pensar.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].

