
Vivaldo José Breternitz (*)
Nos Estados Unidos, por duas décadas, as matrículas nos cursos superiores de computação só cresceram; mas no ano acadêmico de 2025-26, elas caíram.
O dado vem de Jacob Light, pesquisador da Hoover Institution, ligada à Stanford University. Light falou ao portal Business Insider, tendo relatado que seu estudo considerou os dados, a partir de 1996, de 1019 instituições de ensino.
Em média, cada instituição registrou queda de 4,6% nas matrículas em cursos na área. Outros levantamentos, como os do National Student Clearinghouse (NSC), mostram a mesma tendência: as matrículas nos cursos de graduação com quatro anos de duração, caíram 8,1% no ano acadêmico de 2025-26, de 659,7 mil para 606,1. O NSC é uma organização sem fins lucrativos que coleta, verifica e disponibiliza dados educacionais de forma centralizada, sendo considerado a principal fonte americana de estatísticas sobre matrículas, diplomas e trajetórias acadêmicas.
A queda coincide com a popularização de ferramentas de inteligência artificial, capazes de escrever e depurar programas de computador, o que está ligado à queda de oportunidades de trabalho para iniciantes na área.
Light, porém, não aponta a IA como única causa da queda, mencionado outros fatores como dúvidas sobre o valor do diploma, mudanças demográficas ligadas à imigração etc.
Mesmo com essas ressalvas, o cenário preocupa. Estudantes parecem observar os sinais emitidos pelo mercado: muitas demissões em empresas de base tecnológica, declarações de executivos como o CEO do Google, Sundar Pichai, que afirmou que 75% do código que a empresa necessita é gerado por IA. Muitos estudantes estão procurando outras carreiras, menos glamourosas, inclusive em áreas como manutenção predial.
Outros são mais otimistas: Demis Hassabis, cientista britânico cofundador da DeepMind, que agora é a divisão de inteligência artificial do Google e segue sendo dirigida por ele, defende que um diploma em nas áreas STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) torna o profissional muito mais eficaz ao trabalhar com IA.
A dúvida permanece: trata-se de uma queda passageira ou do início de uma nova era? As próximas turmas darão a resposta.
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


