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75% do código que o Google necessita é gerado por IA

em Tecnologia
sexta-feira, 24 de abril de 2026

O Google anunciou na última quarta-feira que cerca de 75% de suas necessidades de programação de computadores são atendidas por inteligência artificial. O código assim gerado é posteriormente revisado por programadores humanos.

Vivaldo José Breternitz (*)

O número representa um salto expressivo em relação aos níveis anteriores: em outubro de 2024, apenas 25% do código era produzido por IA; no fim de 2025, a fatia havia dobrado para 50%. Agora, a tecnologia deixou de ser ferramenta complementar e tornou-se o principal método de desenvolvimento de software dentro da empresa.

O avanço está diretamente ligado à adoção das ferramentas Gemini, usadas para gerar, migrar e refatorar código. Refatoração é o processo de reestruturar o código existente sem alterar seu comportamento externo; em outras palavras, o programa continua funcionando da mesma forma, mas o código é reorganizado para ficar mais limpo, eficiente e fácil de manter.

O CEO Sundar Pichai descreveu a mudança como parte de uma transformação mais ampla na forma de trabalhar. Segundo ele, o Google caminha para “fluxos de trabalho verdadeiramente agentivos”, onde os profissionais passam a orquestrar sistemas capazes de executar tarefas complexas com mínima intervenção humana.

Pichai destacou ganhos mensuráveis de produtividade: uma recente migração de código considerada complexa foi concluída seis vezes mais rapidamente do que seria possível apenas com humanos há um ano.

O uso das ferramentas, no entanto, não é uniforme. Equipes do Google DeepMind, por exemplo, receberam autorização para utilizar o Claude Code, da Anthropic, em paralelo aos modelos da própria empresa, decisão que teria gerado atritos internos sobre padronização e estratégia.

O movimento acompanha uma tendência mais ampla no setor de tecnologia. A Microsoft já relatou avanços semelhantes: em abril de 2025, o CEO Satya Nadella afirmou que entre 20% e 30% do código em alguns projetos era escrito por IA, enquanto o CTO Kevin Scott projetou que 95% do código será gerado por inteligência artificial em até cinco anos.

A Meta também fixou objetivos: documentos internos indicam que, no fim de 2025, 55% das alterações de código em determinadas áreas deveriam ser assistidas por agentes de IA, com previsão de que, em 2026, IA será usada para produzir mais de 75% do código necessário.

Essas mudanças apontam para uma redefinição do papel dos desenvolvedores: em vez de escrever a maior parte do código, eles passam a supervisionar sistemas automatizados.

No Google, onde a IA já responde pela maioria da produção, essa transição está em pleno curso, o que gera previsões de mais desemprego na área.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

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