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Tecnologia 29/07/2016

em Tecnologia
quinta-feira, 28 de julho de 2016

Não corra riscos capturando Pokémons por aí…

A menos que você tenha passado as últimas semanas em uma caverna, certamente escutou falar do “Pokémon Go”, novo jogo da Nintendo

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Marcos Nehme (*)

Pensando melhor, mesmo que estivesse morando em uma caverna, provavelmente alguém entraria lá tentando achar um Pikachu. Pokémon Go é atualmente o mais popular game para plataformas móveis. Gerou para a Apple em 15 dias mais de U$ 3 bilhões de dólares em vendas de Pokecoins – moedas praticadas para compra de privilégios no jogo – fazendo as ações da Apple subirem 6% em menos de 15 dias. Ele também é o primeiro jogo da história a alcançar dez milhões de downloads em apenas sete dias de vendas deixando Clash Royale, Candy Crush Jelly Saga e os Angry Birds a ver navios. Embora o jogo esteja em toda parte, há alguns riscos importantes que você precisa conhecer antes de se aventurar ou deixar seus filhos circulando por aí com um mobile device nas mãos.

Uma das maneiras de criar um usuário do jogo é usando uma conta existente do Gmail (Google). Ao fazer isso, o desenvolvedor do Pokémon Go, a Niantic, passa a ter acesso à conta. Surgiram algumas notícias falsas de que a Niantic teria “carta branca” para acessar os dados de seu usuário, o que não nos parece ser o caso. A empresa na verdade tem acesso restrito às informações e afirma que solicita apenas uma pequena quantidade de dados ao Google para compreender o perfil de seus gamers.

De qualquer maneira, é importante lembrar que pode haver uma diferença entre o que uma organização diz acessar e o que ela é capaz de acessar de fato, mas principalmente, deve-se considerar aquilo que ela poderá acessar no futuro. Em outras palavras, mesmo que a Niantic planeje acessar apenas um pequeno volume de dados, ela é capaz, na realidade, de visualizar muito mais. Há também o risco da empresa sofrer ataques de hackers ou de um funcionário desonesto fazer uso inadequado de suas informações.

A maneira mais fácil de eliminar esse risco é criar uma nova conta de e-mail que seja usada exclusivamente para o Pokémon Go. Além disso, o usuário deve evitar misturar dados dessa conta específica com informações de sua conta principal do Gmail. Outro risco que deve ser levado em consideração é o de instalar versões falsas do Pokémon Go ou aplicativos que prometem ajudar você de alguma forma no jogo. Este tipo de “App complementar” é muito comum nas lojas virtuais quando uma nova febre aparece para Androids e IOSs.

Se você fizer download do jogo e/ou de aplicativos de ajuda, use apenas canais oficiais, como a Google Play Store ou a Apple App Store. Além disso, desconfie se, aparentemente, o aplicativo não for popular ou for usado por poucas de pessoas. Nesse caso, talvez você esteja lidando com um malware que conseguiu se infiltrar na plataforma fechada. Além dos perigos cibernéticos, também há riscos de segurança física relacionados ao Pokémon Go. Enquanto perambulam por aí em busca de um Charizard, nem sempre os usuários prestam atenção à sua volta, seja um penhasco à beira do mar ou mesmo podem entrar em bairros perigosos.

Se o número de usuários for um indicador, o Pokémon Go é claramente uma tendência. Porém, como com qualquer conceito novo de tecnologia, é preciso ter cuidado. Esperamos que o usuá­rio leve em conta os alertas mencionados na próxima vez que estiver tentando capturar um Pokémon dentro de uma caverna.

(*) É diretor de Pré-Vendas América Latina da RSA – Divisão de segurança da EMC.

Qual o melhor modelo de data center para o seu negócio?

Adiel Machado (*)

Qual o perfil da sua empresa? Você acredita que possa virtualizar seus servidores em nuvem mantendo o mínimo de infraestrutura interna ou prefere investir em um ambiente próprio de TI e de Telecomunicações?

De uma forma ou de outra, as respostas a essas perguntas passarão por um data center, uma infraestrutura integrada e inteligente de dados, armazenamento e comunicação. Sob outros nomes (CPD, Server Room), o data center existe há dezenas de anos. Desde o início da década atual, no entanto, a face deste ambiente mudou, com a evolução da computação em nuvem. Micro, pequenas, médias e grandes empresas podem agora contar, num modelo flexível baseado na venda de serviços, com uma impecável estrutura de data center.
Estamos falando de data centers que oferecem toda a infraestrutura crítica para a continuidade dos processos de negócios das empresas que atendem. Para isso, mantém um ambiente cuidadosamente projetado e monitorado que conta com geradores de energia, chaves de transferência, nobreaks/UPS, climatização de precisão e espaço físico. É um mundo de alta tecnologia que permite que empresas clientes insiram seus servidores, informações e serviços dentro do espaço do data center. Este serviço ofertado é chamado de Colocation e é o modelo mais seguro e econômico de dispor serviços na Internet sem se preocupar com questões de infraestrutura, disponibilidade, segurança e monitoramento. O Colocation reduz a necessidade de espaço físico próprio, custos de manutenção e investimentos iniciais.
Para entender melhor como funciona este tipo de serviço, vamos usar como exemplo uma loja virtual. Imagine que essa loja gere muitos dados e transações de compra e de venda. Se seu site b2c ficar indisponível, a loja deixa de operar. Ao invés de construir seu próprio data center, essa empresa de varejo pode optar por instalar seus servidores dentro de uma infraestrutura confiável – inclusive do ponto de vista de fornecimento de energia –, preparada para ficar disponível 24 horas por dia. Para usufruir deste ambiente e desses serviços, a loja online pagará um custo mensal. Para a loja, o benefício é que não será necessário fazer um grande investimento para ter sua própria infraestrutura. Ganha-se também na velocidade da implementação da infraestrutura que suporta o negócio. Outro resultado é a conquista da disponibilidade e da confiabilidade adequadas para os negócios ao custo de uma espécie de aluguel, sem a necessidade de se imobilizar capital em uma estrutura própria de data center (modelo OPEX). É importante destacar que, mesmo sendo o data center compartilhado com outras empresas ou até mesmo outras lojas virtuais, como um condomínio, o ambiente garante que os dados da empresa que utiliza o Colocation estarão seguros e terão sua privacidade assegurada. Essas são as vantagens para as empresas usuárias de data center na modalidade de Colocation.
Já para o data center que oferece o serviço de Colocation, a vantagem é que sua infraestrutura será autossustentável e gerará renda a partir de seu serviço de data center. Isso será feito sem produzir ou acessar nenhum dado de terceiros. A preocupação maior para as empresas proprietárias de data center é sempre garantir a disponibilidade dos serviços. Para isso, é fundamental que os gestores deste ambiente se assegurem de que estão utilizando os produtos que podem suportar sua operação. Isso vale para os geradores de energia, UPS, ar condicionado de precisão, monitoramentos, soluções de transferências e softwares para configurações e acompanhamentos.
Se compararmos um data center com uma fábrica, estaríamos falando de uma fábrica que opera 24 horas por dia. Imagine que essa fábrica dependa exclusivamente da disponibilidade e não possa parar. No caso do data center, esta alta disponibilidade produz como resultado não produtos, mas serviços que garantem a continuidade dos negócios de seus clientes. Na maioria das vezes, o valor agregado oferecido pelo data center a seus clientes é centenas de vezes maior do que as vantagens oferecidas por uma fábrica aos clientes dos produtos ali fabricados. Para entender um pouco as perdas que podem ser causadas se o data center parar, leia nosso post “Quanto Custa um Data Center Parado?”.
É fundamental, no entanto, estudar a nuvem e serviços como o de Colocation no data center sem pensar apenas na redução de custo. Segundo o estudo Harvard Business Review: Business Agility in the Cloud, 70% das empresas entrevistadas para este relatório já adotaram o armazenamento em nuvem. Os fatores decisivos para isso foram a agilidade das respostas (32%), busca de inovação (14%) e de redução de custos (14%), além de outros apontamentos. Este é o cenário da revolução para empresas que não tomam os serviços de data center como sua atividade fim, mas, por meio da contratação de serviços de terceiros, desejam usufruir das vantagens propiciadas por este ambiente.
Outro modelo de data center é o criado sob medida, com grandes investimentos, para uma determinada empresa ou grupo. É muito comum que esse modelo seja adotado por players do mercado financeiro. São empresas que precisam alinhar seus processos, inclusive de TI e Telecom, a normas e regulações que necessariamente devem ser seguidas. A empresa tem que mostrar sua compliance (alinhamento, obediência) a essas normas. Em alguns casos, a norma estabelece de forma clara que é necessário organizar e manter uma infraestrutura própria de data center para garantir a privacidade dos dados de clientes, correntistas, etc. Diante desta realidade, muitas instituições financeiras preferem ter sua estrutura própria de data center para manter controle total de suas operações. Na era do Big Data, do BYOD e do Analytics, o data center que pertence à instituição financeira tem de estar preparado para uma quase diária explosão de dados digitais.
Uma prova disso é a diferença de porte entre a área que um data center voltado para Colocation ocupa e o espaço que um data center de um único banco pode demandar. O data center do banco pode ser de 6 a 10 vezes maior do que o data center que atende clientes variados. Vale destacar também que, para alcançar mais agilidade de resposta, além de seus próprios data centers, os bancos criaram suas próprias nuvens. Conta-se com nós centrais, data centers gigantescos, mas, também, com pequenas estruturas de dados em agências bancárias. O objetivo dessa estratégia é espelhar na ponta as informações que também são processadas na sua estrutura de data center principal. É uma prática saudável e comum ter ambientes de servidores menores, como mini data centers dentro das agências bancárias. Essa arquitetura ajuda a instituição a diminuir as chances de latência na rede, algo que aconteceria caso todas as agências se conectassem de forma direta e diária ao data center principal. Isso causaria um significativo aumento de tráfego de dados e a resposta seria abaixo do esperado pelos usuários das redes bancárias. Daí a necessidade de que as agências contem com pequenos data centers, fáceis de administrar e sempre disponíveis para atendimento.
Como conclusão, podemos definir que, se de um lado a maior parte das empresas do mercado poderia se satisfazer com serviços de Colocation, seguem existindo empresas e setores que sempre investirão em data centers próprios. É que o tipo de centro de dados que sua empresa irá utilizar depende tanto de sua atividade quanto de sua demanda de mercado e do impacto desses fatores sobre o crescimento de espaço físico para armazenamento dos dados. Quem quiser ter uma resposta mais exata, sob medida para a sua realidade específica, encontra no nosso playbook de planejamento do crescimento fórmulas de cálculo que podem indicar qual o melhor caminho a seguir na hora de escolher o melhor modelo de datacenter para seu negócio.
A digitalização de serviços de todas as verticais da economia é uma realidade e seguirá crescendo de maneira massiva. O que resta decidir é qual modelo de data center adotar.

(*) É líder do marketing da Emerson Network Power Brasil.