Consumidores do e-commerce transformaram o fluxo da cadeia logística

Caio Reina (*)

Nos últimos dois anos, todos os setores da economia sofreram mudanças, sobretudo, apoiados na transformação digital.

Segundo levantamento realizado pela Ebit/Nielsen, o e-commerce no Brasil bateu recorde no primeiro semestre de 2021, atingindo a marca de R$ 53 bilhões. Esse número veio da alta no ticket médio de compras realizadas tanto nas grandes marcas e centros varejistas, como também no pequeno comércio, que impulsiona ainda mais o movimento dos novos canais de compra, sobretudo, os digitais, escolhidos pelos consumidores.

O mesmo levantamento também concluiu que os brasileiros estão hiperconectados, o que faz com que consumam conteúdos de modo instantâneo em diversas telas. Ainda no primeiro semestre, as vendas por celular atingiram R$ 28,2 bilhões – um crescimento de 28%. Entretanto, além da facilidade do e-commerce, da agilidade e do conforto que o novo consumidor procura, entram nessa lista outras questões como rapidez na entrega e sustentabilidade – ambos fazem parte da transformação dos modelos logísticos disponíveis no mercado.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, as operações logísticas correspondem a cerca de 50% das emissões globais do efeito estufa. Esse dado preocupa o consumidor, que procura alternativas mais sustentáveis, e impulsiona mudanças no setor. Parte dessas transformações podem começar a acontecer mais efetivamente no processo diário das empresas.

Por exemplo: aproveitando ao máximo a capacidade da frota, com o objetivo de otimizar e diminuir veículos desnecessários na rua; menor gasto de combustível e até mesmo controle da jornada de trabalho do motorista (sem horas extras desnecessárias). A transformação digital e, consequentemente, os consumidores do e-commerce e dos ambientes virtuais transformaram o fluxo da cadeia logística e estão transformando os outros setores do mercado.

Já estão na lista mudanças o uso frequente de dados e IA: personalização da experiência de compra; rastreabilidade de entregas cada vez mais em tempo real; processos sustentáveis e produtos de baixo impacto; novas experiências de compra e experimentação em campos sensoriais e lúdicas. No geral, à frente de toda transformação de mercado, seja ela no recorte logístico, de e-commerce ou qualquer outro, os consumidores que tomam o papel de protagonistas.

Eles não querem apenas uma entrega rápida e gratuita, rastreabilidade e segurança, eles querem conveniência, satisfação e humanização. A ascensão do phygital (físico e digital) também é capaz de ilustrar a revolução do varejo, que com a saturação do espaço urbano e a intensificação de fluxos logísticos, obrigou as empresas a repensarem suas ações e abordagem em relação à distribuição de produtos.

Tiveram que distribuir melhor seus galpões, investir em novos locais, em tecnologias que melhorassem todo esse novo fluxo imposto pelos consumidores e, gradativamente, do mercado. Um movimento importante, tendo em vista a hiperconexão dos consumidores, o novo comportamento baseado em sustentabilidade e, também, as novas necessidades deles.

(*) – Formado em Engenharia Cartográfica pela UNESP e mestre em Engenharia de Transportes pela USP, é CEO e fundador da RoutEasy, plataforma de gestão e roteirização de entregas de produtos e serviços.

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