
Levantamento indica que as oportunidades de crescimento, estabilidade e liberdade para inovar favorecem a fidelização e a realização dos jovens profissionais
A geração Z já representa mais de 18% do total de participantes da Pesquisa FIA – Lugares Incríveis para Trabalhar 2025, o equivalente a 40,8 mil profissionais, dentro de um universo de 219,2 mil participantes. Nativos digitais nascidos entre 1995 e 2010, eles são mais exigentes em relação às chances de desenvolvimento na empresa. Segundo o levantamento, 39% dos jovens colaboradores apontam as oportunidades de crescimento e de aprendizado como os principais fatores para a permanência em uma empresa.
De acordo com Lina Nakata, professora da FIA Business School e uma das responsáveis pela pesquisa FIA, os números são reflexo de uma mudança estrutural do mercado, com profissionais que também privilegiam a estabilidade como uma razão para seguir em uma organização.
“A geração Z é a primeira 100% digital e suas expectativas são, de fato, diferentes de outros grupos etários. De acordo com nossa pesquisa, os jovens buscam, prioritariamente, o crescimento na carreira; mas ele está atrelado a um bom relacionamento com as lideranças e a busca pelo aprendizado constante, que aparece em uma proporção significativamente maior do que em outras faixas”, comenta Nakata.
Além de ser um elemento de permanência, as perspectivas de crescimento da carreira no futuro (32%) e as oportunidades de aprendizado (25%) são os principais motivos de atração para uma vaga entre a geração Z – índices até 56% maiores no comparativo com o quadro geral de profissionais entrevistados.
Outro ponto avaliado na pesquisa da FIA foi o anseio de permanência nas empresas: a maior parcela de talentos desta faixa etária consultados (25%) desejam permanecer, em média, de 1 a 3 nas organizações, sendo que a maioria dos entrevistados (57%) não busca vagas durante o período que está trabalhando em uma empresa. O índice é levemente mais alto que o de outras gerações, tanto no volume geral das companhias, quanto nas avaliadas como Lugares Incríveis Para Trabalhar.
Finalmente, a geração Z relata que a estabilidade profissional (25%), remuneração (18%), crescimento rápido (17%) e liberdade para criar e inovar (16%) são seus principais fatores de realização profissional. Com exceção da busca por salários altos – semelhante a outras gerações – os demais indicadores são consideravelmente maiores na faixa dos jovens profissionais.
Relação com lideranças e desafios
Ao analisar as razões que atraem, fidelizam e dialogam com os valores da geração Z no mundo corporativo, a Pesquisa FIA – Lugares Incríveis para Trabalhar 2025 trouxe também alguns pontos de atenção para as empresas, inclusive para os melhores ambientes de trabalho. A geração Z revela, por exemplo, um índice 2% menor de satisfação com a frequência de feedbacks no comparativo com o quadro geral de profissionais consultados.
“A Geração Z sinaliza que os feedbacks dos líderes poderiam ser mais frequentes. Outro ponto crítico revelado pela pesquisa é a percepção de uma falta de proximidade em relação à liderança para tratar de assuntos pessoais, o que indica um espaço para maior conexão humana nas organizações”, explica Lina Nakata.
Ainda mais preocupante é a percepção dos jovens sobre reconhecimento, comunicação digital e inovação nas empresas: 72,2% sentem que seu trabalho faz a diferença (índice 12% menor em relação aos demais participantes). Já 74,3% dos entrevistados da geração Z acreditam que o discurso nas redes sociais é compatível com a realidade da companhia (6% a menos na comparação geral) e outros 82,9% dizem dispor dos equipamentos ideais para realizarem bem seus trabalhos (2% a menos).
Como diferencial positivo, a percepção sobre as lideranças – mesmo com a necessidade de otimização na frequência dos feedbacks – é melhor na geração Z. Fatores como o conhecimento da área de atuação (0,7% maior) e a contribuição das avaliações dos gestores para o seu desenvolvimento (1,9%) se destacam na comparação com outras faixas etárias. A avaliação acerca da coerência dos líderes esteve próxima dos demais profissionais, com variação levemente positiva na geração Z.
“Ao analisarmos como os jovens avaliam seus gestores, notamos que eles valorizam muito a competência técnica e percebem uma boa coerência entre discurso e ação. Outro ponto positivo destacado pelos profissionais dessa geração é a capacidade dos líderes em fornecer bons feedbacks”, comenta Lina Nakata.
A Pesquisa FIA – Lugares Incríveis para Trabalhar 2025 indica, por fim, que a combinação entre oportunidades de desenvolvimento, atenção para as necessidades de reconhecimento profissional e o diálogo com as lideranças são preponderantes para organizações que buscam atrair, engajar e reter os profissionais que já compõem uma parcela relevante do mercado e que irão construir o futuro das empresas.


