Transformações, tendências e desafios para o setor de Mídia

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As transformações no setor de Mídia vieram para ficar. Foto: cio.com/reprodução

Francisco Clemente (*) e Kadu Pereira (**)

A Covid-19 está fazendo com que as empresas de todos os setores adaptem operações, fluxos e processos. No entanto, a pandemia está inserida em um contexto anterior, que já vinha alterando o mercado e os negócios: a transformação digital. No setor de Mídia não é diferente e há alguns elementos relevantes a serem considerados para que, nesse complexo cenário, as empresas mitiguem riscos e atuem com sucesso. As organizações deste setor precisam continuamente revistar suas estratégias de negócios, explorar novas oportunidades de crescimento e aportar cada vez mais valor para os negócios de seus clientes.

Precisam se apoiar em tecnologias capazes de acompanhar, muitas vezes em tempo real, as necessidades, expectativas e desafios dos consumidores. Nesse contexto, a precisão das mensagens está dependendo cada vez mais de AdTechs e MarTechs no papel de otimizarem a relação entre marcas e consumidores e ajudarem a publicidade a alcançar maior relevância e impacto a um custo menor.

Parte dessa avaliação já foi evidenciada no relatório “AdTech & MarTech Report”, produzido pela Distrito em parceria com a KPMG antes da pandemia, mas com diversas conclusões relevantes nesse momento. Poucos setores estão sendo tão impactados pela transformação digital, por novos comportamentos de consumo e pessoas mais engajadas como o setor de mídia, e as AdTechs e MarTechs estão sendo protagonistas nessa transformação.

O relatório mapeou 475 startups no Brasil, distribuídas nas seguintes categorias: Advertising & Promotion (27%), Commerce & Sales (28%), Social & Relationships (22%) e Content & Experience (21%). O Sudeste é líder com 64% das startups, o que condiz com a produção econômica da região, que representa 55% do PIB brasileiro. Depois vem o Sul com 28% das startups, o Centro-oeste com 3,6%, o Nordeste com 2,8% e o Norte com 0,2%.

É notável ainda como AdTechs e MarTechs estão amadurecendo e 10% delas têm mais de 100 funcionários. Outro dado é que, como elas estão direcionadas prioritariamente a soluções de marketing e publicidade para empresas que querem vender seus produtos e serviços, quase todas (98%) atendem a outros negócios. Finalmente, essas startups têm, na média 2,93 sócios, nascidos majoritariamente no Estado de São Paulo e que possuem, na maior parte dos casos, entre 26 e 45 anos. A proporção de mulheres ainda é desequilibrada, com aproximadamente 1 mulher para cada 5 homens.

As transformações no setor de Mídia vieram para ficar e AdTechs e MarTechs também. Está feito o desafio ao mercado e essas empresas precisam definitivamente entender que a única constante é a mudança e os dados são cada vez mais relevantes. Nesse cenário, os investimentos em marketing e publicidade estão em expansão pois nunca se investiu tanto em atrair, reter e melhorar a experiência dos consumidores, com a diferença de que os investimentos deixaram de estar concentrados e passaram a estar distribuídos.

Como essas tecnologias não vieram para substituir, mas para agregar, o sucesso está deixando de ser medido por métricas de marketing e publicidade e está começando a ser cada vez mais mensurado por métricas de negócios. Não há tempo a perder!

(*) – É sócio-diretor líder do segmento de Mídia e Esportes da KPMG no Brasil. (**) – É sócio-diretor de Tecnologia, Mídias e Telecomunicações da KPMG no Brasil.

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