“CEO” é sigla banalizada e uso sem critério pode trazer prejuízos

Você já deve ter visto por aí casos parecidos: um jovem empresário, que recém fundou uma empresa ou startup, se autointitular CEO do negócio. Na opinião de Marcelo Treff, especialista em Gestão de Carreira e professor de Gestão de Pessoas da FECAP, o uso indiscriminado da sigla em inglês para Chief Executive Officer (equivalente a “presidente” no Brasil), que é utilizada por grandes empresas americanas e europeias, pode passar uma impressão errada do negócio e acabar acarretando prejuízos.

Segundo o especialista, em primeiro lugar, deve-se compreender que a sigla CEO combina mais com grandes empresas multinacionais ou transnacionais do que com empresários ou empreendedores. “Sem dúvidas que a sigla está banalizada, por isso o cuidado que se deve ter em utilizá-la, pois pode passar uma imagem equivocada aos stakeholders (empregados, clientes, fornecedores e comunidade em geral).

De qualquer forma, embora eu não goste, não há problema algum em utilizá-la. Mas, é necessário que o empresário ou empreendedor entenda que esta sigla carrega com ela um certo status, que nem sempre equivale à posição ocupada”, opina, ao afirmar que o CEO não combina com startups e o tipo de profissionais que trabalham nelas, nem com empresas recém-abertas, pois carrega uma simbologia arriscada para novos negócios.

Nestes casos, outras nomenclaturas são mais indicadas, como: founder, empreendedor, sócio-diretor, entre outras. Quanto ao caminho a ser trilhado para chegar até essa posição, não há regras rígidas, mas é sempre importante que o ocupante deste posto tenha domínio do negócio, visão sistêmica e, sobretudo, visão estratégica.

Segundo o professor, diante das rápidas mudanças no mundo dos negócios e no mundo do trabalho, cada vez mais, jovens talentos têm se destacado como high potentials, sendo preparados, sobretudo por grandes organizações, para ocupar posições críticas (estratégicas) e, adquirindo experiência para, cada vez mais cedo, ocuparem a posição de CEO.

Não há regras explícitas para “a idade ideal para se tornar CEO”, pois as organizações são muito diferentes, em termos de porte, longevidade e cultura organizacional. No entanto, nos Estados Unidos, a média de idade dos CEOs do índice S&P 500 é de 58 anos, segundo levantamento do Wall Street Journal. No Brasil, pesquisa divulgada pelo jornal Valor Econômico, em 2020, revelou que a idade média dos CEOs das 70 empresas que compõem o Ibovespa é de 53,6 anos.

“Geralmente, o início se dá em posições com nomenclatura júnior e, gradualmente, assumem mais responsabilidades à medida que se desenvolvem na carreira corporativa. É muito importante adquirir experiência de trabalho, gerenciar relacionamentos e, sobretudo, ter uma sólida formação educacional”.

O professor acrescenta que, na visão de David Braga, presidente e headhunter da Prime Talent e professor da Fundação Dom Cabral, “cada vez mais a nova geração está assumindo o poder, representada por pessoas que unificam o conhecimento técnico e de base” (AI/FECAP).

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