As big techs na Cop-26

Vivaldo José Breternitz (*)

Encerrada a COP-26, a conferência mundial sobre o clima, vale a pena lembrar de que forma dela participaram as grandes empresas de tecnologia e seus chefões. Afinal, elas também têm uma parcela de responsabilidade sobre o assunto, especialmente se lembrarmos seus gigantescos data centers, que consomem imensa quantidade de energia, frequentemente provenientes de queima de combustíveis fósseis e suas cadeias de suprimentos que abrangem todo o planeta.

Quem esteve em maior evidência na COP-26, foi Jeff Bezos, da Amazon – e sua presença não foi vista de forma positiva. Durante sua breve estada em Glasgow, Bezos anunciou que, por meio de sua fundação Bezos Earth Fund, doaria mais US$ 2 bilhões para o combate às mudanças climáticas.

Isso chegou às manchetes, mas não impressionou os ativistas, muitos dos quais declararam-se profundamente frustrados com a forma como Bezos usou sua participação no evento, que foi entendida como uma ação de relações públicas e não como uma oportunidade de ouvir as vozes dos mais afetados pela crise.

Durante as passeatas ocorridas na ocasião, muitos carregavam cartazes atacando a empresa. Outro bilionário presente, Bill Gates, teve uma participação mais discreta, atraindo menos críticas. Gates se dirigiu aos líderes mundiais, atualizando-os sobre o progresso de sua iniciativa climática Breakthrough Energy Ventures e conclamando-os a se unirem para iniciar uma “revolução industrial verde”.

Ele também pediu aos países ricos que façam mais para ajudar os mais pobres, especialmente aqueles menos responsáveis pelas mudanças climáticas, mas que são os mais afetados por elas. No nível empresarial, antes da COP-26, Apple, Google, Meta e outras empresas anunciaram novas medidas em busca da sustentabilidade de suas operações, mas no evento mantiveram um perfil bastante baixo, embora reiterando seus compromissos com a causa ambiental.

A Microsoft apareceu bastante, especialmente por ser uma das principais empresas patrocinadoras do evento – seu logo apareceu em todas as áreas onde foram realizados os trabalhos. Apesar das iniciativas meritórias, a participação das big techs na COP-26 deixou no ar uma sensação de que se tratou de “greenwashing”, passando apenas a imagem de preocupação ambiental, ao invés de esforços reais.

(*) – Doutor em Ciências pela USP, é professor do Programa de Mestrado Profissional em Computação Aplicada da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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