Fazenda não vê motivo para revisar projeção de crescimento para 2017

Cristiano Mariz/Exame
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Secretário de Acompanhamento Econômico da Fazenda, Mansueto Almeida.

Rio – O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, reiterou a previsão de crescimento da economia em 2017 e disse que não há motivo, no cenário atual, para revisar as projeções, apesar das incertezas quanto à velocidade da recuperação. “Só o fato de a economia voltar a crescer é uma mudança significativa. O crescimento está mais demorado do que se esperava em junho, julho. A recuperação tem sido mais gradual. É um estímulo para a gente apressar a agenda de reformas”, ressaltou.
Ele comemorou o recuo da inflação em novembro, para 0,18% segundo o IPCA. Com esse resultado, o Banco Central poderá dar “continuidade à queda dos juros”, disse Almeida, que evitou, no entanto, comentar um aprofundamento da retração da Selic, com o argumento de que essa é uma decisão exclusiva da autoridade monetária. Após participar de seminário interno da FGV, o economista comentou o IPCA, cuja desaceleração, segundo ele, está relacionada também “ao esforço do governo no ajuste fiscal”.
Em sua opinião, existe uma tese “equivocada” sobre uma expansão fiscal neste ano. “Toda expansão fiscal, do gasto público federal, é reflexo da inflação do ano anterior. Há despesas obrigatórias, só a Previdência que cresceu em torno de R$ 70 bilhões neste ano por ser indexada à inflação anterior. Mas em termos de gastos discricionários não tem absolutamente nenhuma expansão fiscal”, afirmou. Para o secretário, fechar o ano com inflação dentro da meta, de até 6,5%, considerando a margem de tolerância, “teria um simbolismo”.
Mansueto dá como certa a votação e aprovação da PEC do teto dos gastos no Senado, na semana que vem, e defende o debate no Congresso da reforma da Previdência. Ele destacou que hoje o INSS representa gasto de 12% do PIB. “Se o sistema atual continuasse, até 2050 ou 2060, o gasto ultrapassaria 20% do PIB. Seria preciso um aumento da carga tributária até 2040 de dez pontos (porcentuais) do PIB e, depois de 2060, acima de 10 pontos do PIB”, disse (AE).

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