Dilma não gosta da CPMF, mas não descarta criar novas fontes de receita

Até o fim do mês, Dilma anuncia o corte de dez dos 39 ministérios, além de redução no número de cargos comissionados e de outras medidas de redução de despesas de custeio.
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A presidenta Dilma Rousseff disse ontem (2) que a decisão do governo de enviar a proposta orçamentária para 2016 com uma previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões mostra transparência e não quer dizer que o Executivo vá fugir de suas responsabilidades com as contas públicas. Dilma comentou a volta da CPMF, afirmando que não gosta do tributo, mas não descartou a criação de novas fontes de receita para o governo. “Não estou afastando nenhuma fonte de receita, quero deixar isso claro, para depois, se houver a hipótese de a gente enviar essa fonte, nós enviaremos”, disse.
Dilma afirmou que, “quando o governo tiver mais elementos”, enviará um adendo à proposta do Orçamento. “Não fugiremos às nossas responsabilidades de propor a solução do problema. Não estamos transferindo a responsabilidade à ninguém, porém é importante destacar que iremos buscar, estamos avaliando todas as alternativas”, disse a presidenta, em entrevista após a cerimônia de recepção de brasileiros premiados na WorldSkills, no Palácio do Planalto.
Dilma reconheceu que a economia passa por momentos difíceis por causa da queda de receitas, mas disse que o governo aposta na melhoria da situação por meio de investimentos em infraestrutura, energia e aumento das exportações. E que, quando o cenário mudar, o governo poderá enviar ao Congresso uma adendo à proposta orçamentária. A presidenta também fez um desagravo ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e negou que ele esteja isolado ou desgastado dentro do governo.
Levy era contra o envio da proposta orçamentária com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões, mas, assim como em outros embates dentro do governo, foi voto vencido. “Ele participou conosco de todas as etapas da construção desse orçamento, ele tem o respeito de todos nós”, disse a presidenta, acrescentando que muitas informações divulgadas sobre a relação de Levy com outros integrantes da equipe econômica são falsos e não contribuem para o país.
Sobre os impactos da reforma administrativa anunciada pelo governo para redução do déficit, Dilma disse que a medida tem mais impactos sobre a gestão que sobre a arrecadação. Até o fim do mês, o governo vai anunciar o corte de dez dos 39 ministérios, além de redução no número de cargos comissionados e de outras medidas de redução de despesas de custeio. “O efeito da reforma é muito mais melhorar a gestão. E melhorar a gestão tem um efeito indireto sobre os recursos, qual seja, torna o governo mais ágil, facilita os investimentos, diminui a burocracia, é isso que queremos”, disse Dilma, sem informar que pastas serão cortadas (ABr).

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