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IA corporativa e governança de dados: por que empresas estão criando seus próprios “ChatGPTs” internos

em Destaques
segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Eliane Yamashita (*)

A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa para se tornar parte da rotina de trabalho de milhares de pessoas. Novas ferramentas surgem a cada dia, automatizando tarefas, ampliando produtividade e mudando a maneira como profissionais produzem, analisam informações e, até mesmo, como tomam decisões. Mas, junto com as oportunidades, chegam novas tensões.

De um lado, colaboradores veem na tecnologia uma aliada para reduzir sobrecarga, ganhar tempo e apoiar demandas cada vez mais complicadas. De outro, as empresas enfrentam preocupações sobre segurança da informação, vazamento de dados sensíveis e uso indiscriminado de plataformas populares em ambientes corporativos.

Esse dilema tem feito organizações refletirem de forma mais madura: não basta apenas adotar inteligência artificial, é preciso governar seu uso. E esse ainda é um desafio para grande parte do mercado. Segundo o The Adecco Group, apenas 10% das empresas do mundo são consideradas future-ready, ou seja, possuem planos concretos para a transformação causada pela IA. Ao mesmo tempo, 60% dos líderes esperam que seus profissionais desenvolvam novas habilidades relacionadas a tecnologia, mas apenas 34% das empresas sequer possuem políticas para orientar o uso, ou seja, é muita intenção, mas pouca direção.

Quando olhamos para o Brasil, o cenário segue a mesma lógica. Em 2025, 67% das empresas consideravam a IA uma das cinco prioridades para o ano, mas 73% ainda não tinham equipes dedicadas ao desenvolvimento da tecnologia e apenas 23% haviam feito algum tipo de capacitação profissional para o uso, segundo pesquisa da Bain & Company.

Esse distanciamento entre prioridade e preparação revela uma contradição: as empresas reconhecem o potencial estratégico da IA, mas ainda enfrentam desafios para adotá-la de forma estruturada, segura e escalável. É justamente para responder a essa falta de harmonia que surgem novos modelos de adoção. Em vez de liberar o uso de ferramentas abertas ou adiar a incorporação da tecnologia, muitas organizações vêm criando ambientes próprios ou homologados de inteligência artificial, os chamados “ChatGPTs corporativos”, para combinar inovação com segurança e produtividade com governança.

Não se trata apenas de bloquear o uso de plataformas “públicas”. Até porque, na prática, restringir aplicações em computadores corporativos não resolve um cenário em que a tecnologia está literalmente na palma da mão. A questão é estruturar um ambiente em que a IA possa ser usada com regras, contexto e com proteção.

Na AB Mauri, por exemplo, esse movimento se materializa na Ask Mauri, ferramenta interna de inteligência artificial desenvolvida para operar em ambiente controlado, com governança de dados, regras de acesso e aplicações voltadas ao dia a dia dos colaboradores, sendo de geração de conteúdo e análises a transcrição de reuniões e consultas a documentos internos. Esses avanços são maneiras de demonstrar o amadurecimento da organização frente a novidades e a era tecnológica.

Além disso, com iniciativas assim, a discussão sobre IA corporativa sai da experimentação para entrar na área da estratégia. Esse pode ser um dos pontos mais importante do negócio, onde o futuro da inteligência artificial nas empresas não fica nas ferramentas populares, mas na capacidade de integrar inovação, segurança e contexto usando algo próprio da organização.

E, mais do que acompanhar uma tendência tecnológica, movimentos como esse mostram que o diferencial não é apenas usar inteligência artificial, mas criar condições para que ela seja aplicada com segurança, propósito e responsabilidade para os funcionários. No fim, a discussão sobre IA nas empresas não é mais sobre aderir ou não a tecnologia, mas sobre capacitar, orientar e zelar pelo próprio negócio.

(*) Head de TI da AB Mauri.

Aplicar os princípios da Governança Corporativa nos negócios | Jornal Empresas & Negócios